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BPI. CaixaBank está aproveitar-se da situação, diz Edgar Ferreira

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A família Violas Ferreira nota que o preço da nova OPA (1,113 euros) representa 68% dos capitais próprios do BPI

A família Violas Ferreira, o maior acionista português do BPI (2,8%) não tomou ainda uma posição definitiva sobre se vende ou não na Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pelo CaixaBank a 1,113 euros por ação.

Edgar Ferreira, presidente da HVF, explica que “há ainda muita poeira no ar e falta de informação sobre variáveis essenciais” para tomar uma decisão. Mas, regista: “O CaixaBank está claramente a aproveitar-se da situação gerada. O preço oferecido representa 68% do valor dos capitais próprios. Pouco mais de metade do dinheiro que o banco tem e que pertence aos acionistas”.

Pequenos acionistas sofrem

Edgar Ferreira não esconde a desilusão com a “confusão” gerada, primeiro pelo BCE depois pela Santoro, em torno do banco privado “mais estável” do sistema bancário.

“Ninguém sai beneficiado com esta confusão”, refere o empresário. Os mais castigados serão os pequenos acionistas. Os grandes “discutem e decidem a vida do banco, por coincidência sempre ao fim de semana”, perante a passividade de reguladores ou supervisores e a incapacidade dos pequenos acionistas que se limitam aguardar “pela desenrolar dos acontecimentos”.

O Caixabank anuncia que pretende manter o BPI cotado, mas Egdar Ferreira nota que não explica que percentagem mínima deve ficar dispersa, qual a liquidez, nem “o projeto subjacente a essa intenção”.

Depois, não se sabe qual a solução para o BFA e como se resolverá a exposição a Angola.

O enigma BFA

Aquando da OPA de há um ano do CaixaBank a 1,329 euros, nas contas apresentadas pelo Conselho de Administração do BPI, o negócio doméstico surgia avaliado em 1,12 euros, numa soma de 2,26 euros.

Com o valor que agora oferece, o Caixabank está a avaliar em zero a participação no BFA? “Não sei, mas o fator BFA é, precisamente, um dos enigmas que está por desvendar”, responde Edgar Ferreira. E acrescenta: “Muita água vai ainda correr sob as pontes até ao desfecho da operação”.

BCE culpado

O acionista do BPI não tem dúvidas que a origem do mal que afeta agora o banco está na “atitude absurda” do BCE sobre a exposição a Angola, insistindo que a dívida do Estado ao BFA entre nos grandes riscos do BPI.

“Sempre que entidades públicas decidem interferir nos negócios privados dá raia. Este é mais um exemplo”, regista o empresário de Espinho. O BCE “arranjou este 31 e agora o CaixaBank aproveita-se”, acrescenta.

Edgar Ferreira reconhece que, nesta última fase, a Santoro, de Isabel dos Santos, é também culpada por ter rejeitado um acordo que anteriormente subscrevera, nomeadamente no ponto relativo à cotação do BFA na bolsa de Lisboa.

Se vender na OPA, a família Violas Ferreira contará com um encaixe de 45 milhões, mas registará, apesar de ter sido fundadora do banco, com menos-valia assinalável. Há um ano, a HFV aplicara mais 16 milhões de euros a reforçar a posição a preços na casa dos 1,30 euros por ação. O único aumento de capital que não subscreveu foi o mais barato de todos, a 0,50 euros por ação.

BPI