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Argentina regressou ao mercado de dívida com emissão recorde

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JUAN MABROMATA/GETTY

O Tesouro argentino lançou esta segunda-feira uma emissão sindicada de obrigações em vários prazos que registou interesse de investidores internacionais num total de 67 mil milhões de dólares. Na terça-feira será anunciado o montante da colocação

Jorge Nascimento Rodrigues

O Tesouro argentino lançou esta segunda-feira uma operação sindicada de dívida obrigacionista denominada em dólares norte-americanos com o objetivo de colocar entre 12,5 a 15 mil milhões de dólares, um montante recorde na história das emissões do país e nos mercados emergentes.

Segundo o jornal “La Nación”, a operação terá registado ordens de 67 mil milhões de dólares, sinalizando o interesse dos investidores internacionais que, em reuniões prévias na semana passada nos Estados Unidos, consideraram a Argentina “a principal aposta do ano nas economias emergentes”, apesar da sua dívida obrigacionista ser considerada especulativa.

Na terça-feira será anunciado o montante de colocação. A emissão destina-se a assegurar o pagamento no dia 22 de abril da dívida aos fundos abutre e outros credores que não aceitaram as reestruturações de dívida (nem em 2005 nem em 2010) que ronda os 10 mil milhões de dólares e a resolver uma parte das necessidades de financiamento do ano. Com esse pagamento, a Argentina pretende sair da situação de “incumprimento seletivo” em que tem estado desde julho de 2014 em virtude das decisões do juiz nova iorquino Thomas Griesa a favor das pretensões dos fundos abutre.

A emissão sindicada foi colocada por um conjunto de bancos incluindo Deutsche Bank, HSBC, J.P. Morgan, Santander, BBVA, Citigroup e UBS.

As linhas de obrigações abrangem quatro prazos, a 3, 5, 10 e 30 anos. As taxas médias de remuneração nas operações referidas pelo “La Nación” teriam sido de 6,75% a três anos, 7,15% a cinco anos, 8% a 10 anos e 8,85% no prazo mais largo.

O Tesouro argentino pretenderá, ainda, complementar a operação com uma emissão de obrigações em dólares com o objetivo de arrecadar 7,4 mil milhões de dólares, mas apenas destinada ao mercado doméstico.

A Argentina tem séries emitidas a 3, 10, 20, 25 e 30 anos. No mercado secundário, as yields no prazo a 3 anos eram esta segunda-feira similares às registadas na operação de hoje, mas a 10 e 30 anos eram inferiores.

O quadro político argentino alterou-se em dezembro de 2015 depois de Mauricio Macri ter ganho no final de novembro a segunda volta das eleições presidenciais por 51,4%, derrotando o candidato apoiado pela anterior presidente Cristina Fernández de Kirchner que governou entre 2007 a 2015. O novo governo procedeu a uma desvalorização do peso que já se depreciou 37% e acordou pagar as dívidas aos fundos abutre e terminar com o litígio com os tribunais de Nova Iorque.