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Doha: provável congelamento da produção de petróleo por seis meses

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A reunião de 17 produtores e exportadores de petróleo a decorrer este domingo na capital do Qatar iniciou-se com atraso, com o Irão com um pé dentro e outro fora. Reuters avança com um acordo até outubro e a criação de um comité de acompanhamento

Jorge Nascimento Rodrigues

A tão esperada reunião de membros do cartel da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e de seis não membros, entre eles a Rússia e o México, iniciou-se com atraso este domingo no Sheraton Hotel em Doha, a capital do Qatar.

Foi nesta cidade que, em meados de fevereiro, se soube que estavam a decorrer reuniões secretas entre a Arábia Saudita, o líder do cartel petrolífero, a Rússia, a Venezuela e o Qatar para congelar a produção mensal de crude nos níveis de janeiro de modo a pressionar em alta o preço do barril do ouro negro.

Segundo a Reuters, os participantes inclinam-se para aprovar um congelamento da produção até outubro e criar um comité de acompanhamento formado por dois membros da OPEP e dois não membros. A reunião normal do cartel decorrerá em Viena de Áustria a 2 de junho.

Vários participantes declararam que o acordo será firmado ainda hoje, mesmo sem a adesão do Irão, que acabou por não participar, estando ausente o ministro dos Petróleos Bijan Namdar Zanganeh. No entanto, Teerão enviou a Doha Hossein Kazempour Ardebilli, que faz parte do conselho de governadores da OPEP. O Irão pretende aumentar a sua produção para 4 milhões de barris por dia (mbd) até abril do próximo ano. Em março produziu 3,3 milhões mbd.

Participam 17 países, 11 da OPEP e seis não membros. Do cartel só não estão presentes a Líbia, que está em guerra civil, e o Irão, que está com um pé dentro e outro fora da reunião. Os seis não membros participantes são Azerbaijão, Cazaquistão, Colômbia, México, Omã e Rússia.

Desde que se revelaram as reuniões secretas em fevereiro, o preço do barril de crude tem estado numa trajetória ascendente. Na semana passada, o preço do Brent atingiu um máximo do ano durante a sessão de dia 13 chegando a cotar-se em 44,94 dólares. Desde o mínimo de 27,10 dólares no preço do Brent registado em 20 de janeiro deste ano, a cotação já subiu quase 60%. Fechou na sexta-feira em 43,11 dólares. Para alguns analistas, o ponto mais baixo do ciclo descendente iniciado em junho de 2014 terá sido registado a 20 de janeiro, se um acordo de congelamento for obtido hoje em Doha.

Este domingo, as bolsas do Médio Oriente estão “mistas”. O índice da Arábia Saudita, o Tadawull, lidera as quedas, com uma perda de cerca de 1%. O índice do Qatar, onde decorre a reunião, está, também, em terreno negativo. Os índices do Egito, Emirados Árabes Unidos e Kuwait estão em terreno positivo.