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Costa apela a acordo para que nada perturbe o BPI

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STEPHANIE LECOCQ / REUTERS

António Costa lamenta que o acordo anunciado entre Isabel dos Santos e o La Caixa, a 10 de abril, não se confirme, e apela a que haja um entendimento por forma a que nada pertube o BPI enquanto instituição. Assegura que o governo não irá intervir mais no processo

O primeiro-ministro reagia a um comunicado do início da tarde deste domingo, no qual a administração do BPI acusava a investidora angolana Isabel dos Santos de “desrespeitar o que tinha acordado” com os espanhóis La Caixa em relação ao acordo que ambos tinham assinado no passado dia 10 de abril. Houve, na prática, uma ruptura de acordo entre os dois maiores acionistas do BPI - um acordo sobre o qual se aguardava a qualquer momento que viessem a ser divulgados os termos, e que se admitia que passava pela saída de Isabel dos Santos do BPI e pela redução da participação do banco liderado por Fernando Ulrich no Banco de Fomento Angola, respondendo assim às exigências do Banco Central Europeu.

“Estou convencido que se todos agirem com prontidão podemos encontrar uma solução que poupe o banco a sanções e que possa manter estável o sistema financeiro”, disse António Costa, numa conferência de imprensa, depois da administração do BPI ter dito, em comunicado, que o acordo entre o Caixabank, do grupo catalão La Caixa, e Isabel dos Santos, tinha ficado “sem efeito". O primeiro-ministro lamentou o sucedido e mostrou-se confiante numa solução que evite coimas por parte do BCE. O banco central europeu tinha dado como prazo limite para um acordo o dia 10 de abril, caso contrário passaria a aplicar uma multa diária que poderia chegar a 5% do volume de negócios (cerca de 160 mil euros).

“O papel do governo foi cumprido. Foi criar um contexto para que as partes se sentassem e falassem. Foi construtivo e levou ao anúncio do acordo”, sublinhou António Costa, na sala VIP do aeroporto, antes de partir para Paris. O Governo já tinha admitido há umas semanas que poderia ser feita uma lei que permitiria desblindar os estatutos do BPI, que hoje limitam o uso dos direitos de voto a 20% do capital. O La Caixa detém 44,1% e Isabel dos Santos controla 18,6%.