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BPI: afinal ainda não há acordo entre CaixaBank e Isabel dos Santos

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Isabel dos Santos

Rui Duarte Silva

Investidora angola fez sair um comunicado este sábado à noite dizendo que as negociações para vender a sua posição no BPI ainda estão em curso

Ao contrário do que foi anunciado no dia 10 de abril às 22h59, ainda não há acordo entre os maiores acionistas do BPI para resolver o impasse que já dura há vários meses em torno da redução da exposição do banco ao mercado angolano - e que passa pela venda da posição de Isabel dos Santos ao CaixaBank, detentor de 44,1% do banco.

É o que se conclui de um comunicado emitido este sábado à noite, a que o Expresso teve acesso, pela Santoro Finance, empresa de Isabel dos Santos. Com o título “Negociações em curso na proposta espanhola de aquisição do BPI”, a investidora angolana diz que “a proposta do CaixaBank para adquirir o controlo do BPI ainda está para ser finalmente acordada”.

Assumindo ter 20% do BPI - a posição que lhe era atribuída era de 18,6% - Isabel dos Santos diz ter “esperança de que as negociações em curso serão concluídas com êxito, no melhor interesse de todas as partes”. Embora não especifique quais são os elementos pendentes que precisam de ser resolvidos, a investidora defende que a participação atual do BPI, de 50,1% no Banco de Fomento Angola (BFA) seja reduzida e que as ações do BFA sejam admitidas à cotação em bolsa. Isso, lê-se no comunicado, “poderia acontecer através da dispersão das acções numa bolsa de valores adequada. Seria no melhor interesse de todos os acionistas, em Portugal e no resto do mundo”. A intenção será colocar o BFA na bolsa de Lisboa.

Os dois maiores acionistas tinham até dia 10 para chegar a acordo, por imposição do Banco Central Europeu (BCE), devido ao limite de grandes riscos, que leva a que o BPI reduza a participação no BFA. E efetivamente o prazo foi oficialmente cumprido, pois o BPI anunciou nesse dia que tinha “sido informado pelo CaixaBank e pela Santoro Finance” que estes tinham encerrado “com sucesso as negociações que os envolveram para encontrar uma solução para a situação de incumprimento pelo BPI do limite de grandes riscos”.

“Esta solução foi já comunicada ao Banco Central Europeu e ao Banco de Portugal e encontra-se vertida num conjunto de documentos contratuais que serão apresentados aos órgãos sociais competentes nos próximos dias e que, tão logo sejam aprovados, serão comunicados ao mercado, adiantou o banco.

No dia seguinte, segunda-feira, 11 de abril, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) mandou suspender a negociação das ações do banco à espera de informação adicional. Que não terá chegado até ao final da semana, mantendo-se a suspensão das ações. Isto porque, afinal, segundo Isabel dos Santos, ainda não havia acordo nenhum.