Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Semana de ganhos nas bolsas. Preço do Brent sobe 2,7% e PSI 20 avança mais de 3%

  • 333

O índice bolsista mundial subiu 2,5% na semana que findou, com a Ásia Pacífico a liderar. Apenas o índice europeu ainda não saiu do vermelho se avaliado desde início do ano. Preço do barril de Brent subiu quase 70% desde o mínimo em janeiro em virtude do “efeito Doha” que poderá confirmar-se ou esvaziar-se no domingo

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas mundiais ganharam 2,5% esta semana, segundo o índice mundial MSCI. Recuperaram de uma quebra de 0,5% na semana anterior. Se avaliado desde início do ano, o índice mundial já está em terreno positivo, com um ganho de 1%.

O melhor desempenho semanal coube à Ásia Pacífico, cujo índice MSCI respetivo subiu 4,7%, seguido de um ganho de 3,7% do índice para as economias emergentes. Entre as principais praças financeiras, os índices Nikkei 225 de Tóquio e o iBovespa de São Paulo lideraram as subidas semanais com ganhos de 6,5% e 5,8% respetivamente. O índice MSCI para a Europa avançou 2,5%, com o Ibex 35 de Madrid a destacar-se com uma subida de 5% e o Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas da zona euro) a ganhar 4,9%. Nova Iorque registou ganhos semanais mais modestos, com o índice MSCI a subir 1,6%.

Todos os principais índices agregados MSCI saíram do vermelho se avaliados em termos da sua evolução desde o início do ano, com exceção do índice para a Europa, que, ainda, regista um recuo de 2,3%. O melhor desempenho desde o início do ano regista-se no índice para as economias emergentes que já subiu 6,6%.

PSI 20 mantém-se em terreno negativo em abril

Em Lisboa, o PSI 20 ganhou 3,3% em termos semanais, mas mantêm-se negativo em termos mensais. Puxaram pelos ganhos semanais do PSI 20, as ações da Mota-Engil que subiram 16% e do BCP que avançaram 13%. Os piores da semana em Lisboa foram os CTT, Montepio e REN com perdas. Se avaliado desde início do ano, o PSI 20 ainda perde 5,5%.

O preço do barril de petróleo de Brent, a variedade europeia de referência internacional, subiu 2,7% esta semana, tendo registado um pico do ano durante a sessão de 13 de abril quando chegou a cotar-se em 44,94 dólares. O preço do Brent já subiu 66% entre o mínimo do ano (e do ciclo descendente desde junho de 2014) registado durante a sessão de 20 de janeiro, em 27,10 dólares, e o máximo de quase 45 dólares esta semana.

O disparo do preço deveu-se ao “efeito Doha”, gerado pela expetativa que o cartel da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e outros não membros, nomeadamente a Rússia, cheguem a um entendimento para congelar a sua produção nos níveis de janeiro. Esta expetativa começou a ser alimentada em meados de fevereiro desde a revelação das reuniões secretas em Doha, no Qatar, entre a Arábia Saudita, a Rússia e a Venezuela. Este domingo, na reunião em Doha se saberá se a intenção de congelamento da produção se confirma ou se o “efeito” se esvazia.

A semana ficou marcada por dados económicos chineses que apontam para um abrandamento suave na segunda maior economia do mundo e pela publicação da inflação em março na zona euro, que saiu de terreno negativo, e nos Estados Unidos que ficou abaixo das previsões dos analistas.

A China cresceu 6,7% no primeiro trimestre de 2016, dentro das expetativas de ficar abaixo ligeiramente do crescimento no último trimestre de 2015 (6,8%) e do objetivo político de Pequim de estabilizar a taxa anual entre 6,5% e 7% este ano. Em termos homólogos, em março, o investimento em capital fixo subiu 10,7% e a produção industrial aumentou 6,8% na China. O Banco Popular da China, o banco central, divulgou que se registou uma expansão de crédito em março.

Inflação na zona euro sai de terreno negativo em março

A inflação anual em março na zona euro acabou por sair do terreno negativo em que se situou em fevereiro (-0,2%), O índice de preços no consumidor estagnou (variação de 0%), segundo o Eurostat divulgou esta semana. A previsão inicial era para uma inflação de -0,1% em março.

Nos EUA, a inflação anual em março desceu para 0,9%, abaixo das previsões dos analistas que apontavam para uma subida para 1,1%. Em fevereiro, a inflação anual registou 1%. Continua a verificar-se uma diferença significativa entre a inflação na zona euro e nos Estados Unidos.

Em termos prospetivos, segundo o “World Economic Outlook” (WEO) do Fundo Monetário Internacional (FMI), o risco de deflação (queda persistente dos preços no consumidor) até ao final do quatro trimestre deste ano subiu para 35% no caso da zona euro e para 25% para o Japão e é inferior a 10% no caso dos EUA.

Reunião do BCE na próxima semana

Em termos de decisões dos mais importantes bancos centrais durante esta semana, o Banco de Inglaterra manteve a sua política monetária de taxa de juro de referência em mínimo histórico (0,5%) e de estímulos monetários. Nos EUA, os futuros das taxas de juro apontam para uma probabilidade superior a 50% de uma nova subida das taxas de juro apenas na reunião de dezembro da Reserva Federal (Fed).

Na próxima semana, na quinta-feira, reúne-se o Banco Central Europeu, cuja política de estímulos monetários à banca da zona euro recebeu um apoio público do FMI no já referido WEO divulgado esta semana em Washington durante a reunião de Primavera do Fundo e do Banco Mundial.