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Maló vende Instituto do Coração

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Paulo Maló diz que tem vários interessados no negócio

Antonio Pedro Ferreira

Operação deverá ser concluída até ao início do verão

O Grupo Malo está a vender o Instituto do Coração Serviços Médicos (ICSM), situado em Carnaxide. Adquirido em 2009, num investimento de €5 milhões, o ICSM fazia parte de uma estratégia para reforçar a área de cuidados médicos, mas agora a prioridade é sair.

Paulo Maló, presidente da Malo Clinic, confirmou ao Expresso que prepararam um dossiê sobre o ICSM e que há mais do que um interessado no negócio – a venda do ativo está a ser comunicada ao mercado desde há três meses. Sobre a razão da alienação, Paulo Maló explica que “sendo a cardiologia uma área muito específica, percebemos que não tínhamos capacidade para a desenvolver mais e melhorar”, acrescentando que pretende ter a operação concluída no início deste verão. Além disso, o médico dentista menciona que também está em cima da mesa a hipótese de vender parcialmente o ICSM.

“O grupo tem uma política de desenvolvimento de negócio muito própria. Estamos sempre atentos ao mercado e, na nossa filosofia de gestão, bons negócios tanto acontecem na compra e na venda de ativos, como na parceira para a gestão dos mesmos. Assim, adquirimos o Instituto do Coração em 2009, com o objetivo de desenvolver a área medical care, permitindo a consolidação de outras especialidades médicas no Grupo além da medicina dentária”, refere Paulo Maló. A aposta, entretanto, revelou-se pouco estratégica para o grupo.

Foram abordados “por mais do que um player, para analisar hipóteses de alienação ou parceria do instituto”, mas Paulo Maló não revela preços: “Não divulgamos o valor de negócios por questões de confidencialidade. O que podemos dizer é que quando foi conhecida a nossa intenção de encontrar quem connosco quisesse desenvolver mais este negócio, recebemos de imediato vários contactos. A nossa visão do futuro é simples: se, em parceria, pudermos crescer mais, não é por egoísmo que ficaremos ‘orgulhosamente sós’. Se houver alguém que desenvolva melhor um negócio do que nós, não seremos nunca obstáculo, até porque há muitas áreas de negócio que nós desenvolvemos melhor que muitos outros players, onde há que focar a nossa atuação”. O ICSM faturou quase um milhão de euros em 2014, menos 29% face ao ano anterior, e os prejuízos subiram 45,4% para quase €154 mil, de acordo com a Informa DB.

O empurrão da China

Já o Grupo Malo Clinic, segundo dados (que ainda não estão fechados) facultados pela empresa, teve proveitos operacionais não consolidados de €51 milhões em 2015, dos quais €34 milhões obtidos na Europa. Dos €17 milhões que resultam da atividade fora do Velho Continente, €8 milhões vêm do mercado chinês. Para 2016, a ambição da empresa é atingir os €74 milhões, pesando a atividade internacional €38 milhões, graças ao empurrão da China, com €28 milhões – o Grupo anunciou, na semana passada, que concluiu uma ronda de investimento de 13 milhões de dólares (€11,5 milhões) neste país. O EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortizações) terá ficado nos 2,7 milhões em 2015 – o Grupo não revela os resultados líquidos. Paulo Maló havia dito ao Expresso, em maio de 2014, que ambicionava que no ano seguinte, o negócio internacional pesasse mais do que as receitas dentro de casa, mas essa meta foi estendida para o próximo ano.

“Nos dois últimos anos, a China tem merecido especial atenção, com 12 clínicas em funcionamento, o que é bem demonstrativo da nossa capacidade de internacionalização, mesmo em culturas que não nos são próximas”, menciona Paulo Maló. O modelo de parcerias locais, em que o grupo dá a marca, é a regra (depois de uma experiência desastrosa no Brasil, onde foram perdidos €4 milhões).