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Juros da dívida. Semana de descida para Portugal e Grécia

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Os juros das obrigações portuguesas e gregas desceram significativamente numa semana em que subiram para os restantes países da zona euro. Prémio de risco da dívida portuguesa foi o que mais caiu. Irlanda foi ao mercado e pagou menos

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência, a 10 anos, fecharam a semana no mercado secundário da dívida em 3,17%, dezoito pontos base abaixo do valor de encerramento a 8 de abril. O prémio de risco da dívida portuguesa recuou para 304 pontos base, menos 22 pontos do que uma semana antes. Aquele prémio significa que o custo de financiamento da dívida portuguesa a 10 anos é, ainda, mais de 3 pontos percentuais superior ao registado para a dívida alemã, que serve de referência. Apesar do recuo em termos semanais, no dia 12 de abril, as yields daquelas OT atingiram um pico deste mês ao fecharem em 3,44%. Sublinhe-se que continuam acima de 3% desde 5 de abril.

A maior descida semanal na zona euro ocorreu com as yields das obrigações gregas a 10 anos, que recuaram 37 pontos base em relação ao fecho de 8 de abril, encerrando esta sexta-feira abaixo de 9%. O prémio de risco da dívida grega recuou 13 pontos base fechando em 883 pontos (quase nove pontos percentuais acima do custo de financiamento da dívida alemã). O recuo derivou de uma queda significativa registada hoje, com as yields a descerem 38 pontos base e o prémio de risco a cair 34 pontos base. Os investidores reagiram esta sexta-feira positivamente à decisão do Banco Central Europeu (BCE) em passar a incluir no programa de compras de ativos as obrigações emitidas pelo Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF). Os bancos gregos detêm em carteira obrigações do FEEF no valor de 37 mil milhões de euros. Poderão, agora, vender no mercado secundário ao BCE até 50% desse valor, segundo o jornal helénico Kathimerini.

Nos restantes periféricos do euro, apenas Espanha registou um recuo de um ponto base nas yields das obrigações a 10 anos; Itália e Irlanda viram subir esta semana as yields das suas obrigações no prazo de referência. A semana foi, também, marcada por uma trajetória ascendente das yields das obrigações alemãs, francesas, britânicas e norte-americanas naquele prazo.

Entre os periféricos, a Irlanda regressou ao mercado obrigacionista com o Tesouro em Dublin a colocar 750 milhões de euros numa emissão a 10 anos em que pagou uma taxa média de remuneração de 0,817%, mais baixa do que na emissão similar anterior de fevereiro em que pagara 0,999%.

A inflação na zona euro em março acabaria por não ser tão má quanto se estimava. A previsão inicial de que o mês passado fecharia com uma inflação negativa não se confirmou com o Eurostat a divulgar esta semana que o índice de preços ficou estagnado em março, ou seja que a variação foi zero contra a previsão anterior de -0,1%. Deste modo, a trajetória deflacionista que vinha de fevereiro foi estancada.

No entanto, refira-se que há, ainda, 15 membros da União Europeia que registam inflação negativa, com a Roménia, Chipre e Bulgária nos lugares cimeiros. Entre os periféricos da zona euro, a Espanha regista -1%, a Grécia -0,6% e a Itália -0,1%. Entre as grandes economias da moeda única, a França regista -0,1%. Portugal escapa à inflação negativa, com uma variação em março de 0,5%.

FMI e Bundesbank apoiam Draghi

A semana acabaria por ficar marcada pelo apoio público do Fundo Monetário Internacional (FMI) à política monetária “acomodatícia” de estímulos do BCE, e em particular ao pacote de medidas lançado na última reunião de março, considerado “apropriado” pelo "World Economic Outlook", o documento de previsões económicas e de estratégia do Fundo. Esta sexta-feira, em Washington, no âmbito da reunião de Primavera do FMI, Mario Draghi reafirmou que o BCE, no âmbito do seu mandato, “continuará a fazer tudo o que for necessário para prosseguir o seu objetivo de estabilidade de preços”.

Draghi recebeu, também, esta semana, o apoio público do presidente do Bundesbank, o banco central alemão, que, em entrevista ao “Financial Times”, sublinhou que “uma política monetária expansionista é apropriada neste momento, apesar de pontos de vista distintos sobre medidas específicas”. Jens Weidmann criticou implicitamente os políticos alemães do partido da chanceler Angela Merkel que ultimamente desencadearam ataques à política do BCE. O ministro alemão das Finanças Wolfgang Schäuble foi um dos que responsabilizou o BCE pela subida nas sondagens do partido eurocético alemão, o Afd.