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Diretora-geral do FMI: alguns governos vão ter de ultrapassar linhas vermelhas

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A política monetária de estímulos à retoma “não pode fazer sozinha o trabalho pesado”. É preciso conjugá-la com um impulso orçamental e reformas estruturais amigas do crescimento, diz Christine Lagarde na apresentação da “Agenda Política Global” que vai ser discutida no sábado na reunião do FMI

Jorge Nascimento Rodrigues

A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) vai insistir no sábado na reunião do Comité Internacional Monetário e Financeiro (IMFC, no acrónimo em inglês) na urgência de uma estratégia coletiva de resposta aos riscos crescentes na economia mundial assente em três pilares de políticas – monetária, orçamental e de reformas estruturais. Christine Lagarde foi muito clara na necessidade desses três vetores na apresentação da “Agenda Política Global” que vai ser discutida no encontro daquele Comité no âmbito da reunião da Primavera do FMI que decorre em Washington.

“A política monetária ainda precisa de apoiar a procura. As políticas monetárias acomodatícias [de estímulos] têm desempenhado um papel crucial na retoma [económica], e as taxas de juros negativas – tão comentadas -, no cômputo geral, desempenham um papel positivo e ajudam. Mas a política monetária não pode fazer mais sozinha o trabalho pesado. As políticas estruturais e orçamentais devem desempenhar um papel mais importante”, referiu a diretora-geral do Fundo numa conferência conjunta com o seu diretor-adjunto David Lipton.

Sem mencionar os destinatários, Lagarde sublinha que chegou a hora das políticas governamentais desempenharem um papel proactivo urgente face aos riscos crescentes, mesmo que, par isso, alguns governos que têm resistido a tal tenham de ultrapassar algumas “linhas vermelhas” que têm erguido nos últimos anos. “A abordagem em três vertentes significa ir além do status quo, movendo-se mais rápido. Também pode significar ultrapassar algumas linhas vermelhas políticas para alguns. Valerá a pena fazê-lo? Bem, nós afirmamos que, com a combinação certa de políticas e com esta abordagem em três vertentes, poderia avançar-se com um poderoso pacote global que iria ajudar a gerar um crescimento mais rápido e mais sustentável”, acrescentou a responsável do Fundo.

O Comité do FMI que se reúne amanhã não tem poderes de decisão formais, mas tornou-se, ao longo do tempo, um órgão chave para apontar uma direção estratégica para o trabalho e as linhas políticas da organização. A reunião deste comité contará com um Forum Global sobre Infraestruturas.

Draghi: políticas orçamentais mais favoráveis

Um das regiões do mundo onde falta aquela combinação é a zona euro. Ainda recentemente, as atas da última reunião do Banco Central Europeu (BCE) em março revelavam que os banqueiros centrais do euro disseram claramente que a política monetária "não pode ser sobrecarregada" e que é indispensável que a política orçamental e as reformas estruturais desempenhem o seu papel, ou seja, que os governos façam o seu papel com políticas "amigas do crescimento".

Mario Draghi, o presidente do BCE, no seu testemunho para a reunião do Comité afirmou, a dado passo, que “todos os países da área do euro devem esforçar-se para conseguir uma composição mais favorável ao crescimento por parte das políticas orçamentais, estabelecendo prioridades ao investimento público e reduzindo a carga fiscal sobre o trabalho”.

A reunião da Primavera do FMI e do Banco Mundial termina no domingo. O novo encontro das duas organizações realizar-se-á em outubro no que é designado por reunião do Outono, e decorrerá em Lima, capital do Peru.

  • O Fundo Monetário Internacional voltou a cortar a sua previsão de crescimento mundial para este ano. Mas se os riscos mais negativos se materializarem, o “World Economic Outlook” divulgado esta terça-feira quer “planos de contingência”