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Portugal tem que emitir €91,2 mil milhões em dívida entre 2016 e 2018

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Estado português é um dos que tem maiores necessidades de financiamento anuais nas economias avançadas. Nestes três anos, somam cerca de metade do PIB

Entre 2016 e 2018, o Estado português vai ter que emitir dívida no total de €91,2 mil milhões para financiar os défices orçamentais e pagar empréstimos ou títulos que, entretanto, vão vencer. A estimativa é do Fundo Monetário Internacional (FMI) que, no relatório Fiscal Monitor hoje divulgado em Washington, aponta para necessidades de financiamento que, no conjunto destes três anos, somam cerca de metade do PIB.

O ano mais exigente é 2016 com um total de 18,4% do PIB – 15,5% de refinanciamento e 2,9% de défice – e as necessidades deverão baixar nos próximos dois anos para, respetivamente, 15,2% e 14,6% do PIB. Portugal é, de resto, um dos países com maiores necessidades de financiamento anuais entre as 26 economias avançadas analisadas pelo FMI.

O caso mais grave é o Japão onde o total anual, em média nestes três anos, ultrapassa 40% do PIB. O Estado português surge depois com valores próximos de países como os EUA, Itália, Bélgica ou Espanha.

As necessidades de financiamento anuais são uma medida daquilo a que normalmente se chama risco de liquidez que, no atual contexto da zona euro com a política de estímulos do Banco Central Europeu (BCE), está minimizado pelo facto de os países conseguirem obter financiamentos a taxas mais baixas do que conseguiriam se o mercado funcionasse normalmente.

O relatório avisa que as elevadas necessidades de financiamento podem ser um problema perante eventuais perturbações nos mercados financeiros, nomeadamente nas economias emergentes: “Condições financeiras mais exigentes e voláteis, relacionadas, por exemplo, com uma reavaliação do risco subjacente por parte dos investidores, de maior aversão ao risco ou de maior divergência entre os ciclos económicos e monetários na Europa e nos EUA, podem fazer subir significativamente a fatura com juros numa altura em que as necessidades brutas de financiamento nos mercados emergentes e economias em desenvolvimento são elevadas”.

Mas deixa também um alerta aos países da zona euro mais frágeis onde, sem o nomear, está incluído Portugal: “Uma recomposição adicional de carteiras para reforçar o peso de ativos mais seguros pode também aumentar os custos de financiamento de países europeus com uma dinâmica de dívida mais frágil.”