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PCP fala em “ladrões” dentro dos bancos e falha de intervenção dos reguladores

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Numa intervenção dura em relação às falhas dos reguladores na supervisão dos bancos, Miguel Tiago, deputado do PCP, defende na comissão de inquérito ao Banif que há um fechar dos olhos face aos problemas de gestão dos bancos para proteger o sistema e evitar alarmes que leva os grandes acionistas a portem-se por vezes como ladrões

"Temos ladrões dentro dos bancos, toda a gente sabe, mas ninguém pode dizer nada porque se disser os depositantes vão lá tirar o dinheiro, e os bancos não sobrevivem", afirmou Miguel Tiago, deputado do PCP, referindo-se aos grandes acionistas dos bancos, às lições que o colapso da banca nos últimos anos tem dado, à falta de intervenção dos reguladores. Miguel Tiago intervinha na comissão parlamentar de inquério do Banif, na audição de Carlos Tavares, o presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), e referia-se sobretudo às falhas de regulação e ao que diz ser a falta de divulgação de informação ao mercado e aos consumidores em nome da proteção e estabilidade do sistema financeiro.Carlos Tavares não respondeu à provocação de Miguel Tiago.

Sobre se o Santander teria feito um melhor negócio na compra do Banif, caso não tivesse havido a notícia da TVI, Carlos Tavares defendeu não estar em condições de responder a essa pergunta. Porém, afirmou: "Não consigo dizer se o Santander teria feito melhor ou pior negócio. O Santander também comprou um negócio com menos depósitos e clientes". Foram levantados quase mil milhões de euros de depósitos depois da notícia de 13 de dezembro da TVI, dizendo que o banco iria ser intervencionado.

O deputado do PCP quis saber ainda se Carlos Tavares, sabendo o que se sabe hoje, considera que a informação trocada entre o Banco de Portugal, o Ministério das Finanças e a Comissão Europeia, seria informação relevante para o mercado. Referia-se obviamnete á suspensão do estatuto de contraparte, o relatório do City (que alertava para risco de devolução do capital ao Estado em 2012). O presidente do regulador do mercado mé taxativo: "No caso do Banif considero que a informação essencial foi sendo transmitida". É preciso, acrescenta haver algum equilibrio das informações dadas de forma a evitar alarmes que possam colocar as instituições em risco.