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Juros da dívida. Portugal lidera descidas na zona euro

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Presidente do Bundesbank arrefece divergências dentro do BCE. Juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos descem esta quarta-feira para 3,23%. Interrupção de negociações em Atenas provoca continuação da subida dos juros das obrigações gregas

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields da dívida obrigacionista da zona euro desceram esta quarta-feira no mercado secundário, com exceção da Grécia.

No prazo de referência, a 10 anos, a descida mais significativa registou-se nas yields das Obrigações do Tesouro português (OT), que caíram 21 pontos base, fechando em 3,23%. Em comparação, as yields recuaram 11 pontos base para as obrigações italianas, oito pontos base para as espanholas, e seis pontos base para as irlandesas. Em virtude da baixa das yields, o prémio de risco da dívida portuguesa desceu esta quarta-feira para 310 pontos base, um diferencial de 3,1 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã.

Bundesbank defende BCE

O dia ficou marcado pela continuação das repercussões das declarações do presidente do Bundesbank, banco central alemão, em entrevista ao jornal “Financial Times”, colocando água na fervura provocada pelas divergências dentro do Banco Central Europeu (BCE) que vieram a lume, recentemente, com a divulgação das atas da última reunião a 10 de março.

A entrevista, realizada na semana passada mas divulgada ontem, destacava: "Chefe do Bundesbank Weidemann defende BCE". Jens Weidemann frisou, de facto, que “uma política monetária expansionista é apropriada neste momento, apesar de pontos de vista diferentes sobre medidas específicas”. O chefe dos banqueiros centrais germânicos criticou o atual debate acalorado no seu país, com muitas vozes dentro do partido da chanceler Angela Merkel e do governo em Berlim a responsabilizarem os pacotes de estímulos cada vez mais “agressivos” de Mario Draghi no BCE pela subida dos populistas eurocéticos (Afd com 10% na sondagem mais recente realizada pela Forsa) e pelas perdas dos aforradores alemães. Um dos críticos repetentes nos últimos dias foi o ministro das Finanças Wolfgang Schäuble.

No “World Economic Outlook”, divulgado ontem, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reafirmou o seu apoio à política monetária “acomodatícia” do BCE, e em particular ao pacote de medidas de 10 de março, considerando-o “apropriado“.

Regressa fantasma de crise grega no verão

Esta quarta-feira a exceção entre os periféricos do euro foi a Grécia. As yields das obrigações helénicas no prazo de referência subiram 20 pontos base, fechando em 9,29%. Em dois dias consecutivos aumentaram 36 pontos base, subindo para o patamar dos 9%.

Este stresse na dívida helénica é derivado da interrupção programada das negociações em Atenas no âmbito do primeiro exame ao terceiro resgate, sem que se tenha obtido, ainda, um entendimento final. As reuniões são retomadas na próxima segunda-feira, depois da conclusão da reunião de Primavera do FMI, que decorre em Washington, e, à margem da qual, poderão realizar-se encontros sobre a questão grega. O ministro das Finanças Euclid Tsakalotos mantem o otimismo considerando que se poderá chegar a um entendimento na reunião do Eurogrupo (órgão dos ministros das Finanças do euro) de 22 de abril ou numa reunião extraordinária ainda antes do final do mês.

Os investidores denotam, no entanto, um nervosismo crescente e muitos analistas temem que o fantasma de um risco de incumprimento no verão regresse, se Atenas não receber as tranches do resgate em atraso para desembolsar em julho 459 milhões de euros em mais uma prestação ao FMI e 2,3 mil milhões ao BCE, referentes a obrigações que vencem e que não foram reestruturadas em 2012.