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Bolsas em maré alta. Preço do petróleo volátil

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Boas notícias da exportação na China em março e reação favorável da bolsa milanesa ao fundo de resgate levam a ganhos de quase 2% na Ásia e na Europa e mais de 1% em Nova Iorque. Preço do Brent fixou máximo do ano de 44,94 dólares durante o dia

Jorge Nascimento Rodrigues

Uma maré verde dominou as bolsas mundiais esta quarta-feira. O índice MSCI abrangendo todos os países avançou 1,36%.

A Ásia Pacífico fechou com um ganho de 1,84% segundo o índice MSCI respetivo, com a bolsa de Hong Kong a liderar, tendo o índice Hang Seng avançado 3,19%. Na Europa, o movimento de alta foi liderado pela bolsa milanesa onde o índice MIB subiu 4,13% e o conjunto das bolsas abrangidas pelo índice MSCI respetivo ganhou 1,74%. O índice Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas na zona euro) encerrou com ganhos de 2,99% e os principais índices de Paris e Madrid subiram mais de 3%. Em Nova Iorque, os três principais índices fecharam a subir 1,04%. Na bolsa de Lisboa, o índice PSI 20 fechou a ganhar 1,91%.

O otimismo nas praças financeiras foi motivado pelas boas notícias que chegaram na abertura da sessão asiática desta quarta-feira de que as exportações da China em março subiram 11,5% se avaliadas em dólares, face a uma previsão de apenas 2,5% por parte dos analistas. A subida marcou a inversão do afundamento das exportações chinesas em fevereiro quando caíram 25,4%. Ontem, o “World Economic Outlook”, divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), já tinha sinalizado otimismo sobre o andamento da China ao rever em alta as previsões de crescimento económico para este ano e para o próximo, dando uma tónica que o abrandamento da segunda maior economia do mundo poderá não ser tão acentuado quanto as previsões iniciais mais pessimistas indicavam. Os analistas estimam, agora, que o primeiro trimestre de 2016 poderá registar um crescimento de 6,7%.

A subida de mais de 4% na bolsa de Milão deveu-se a uma reação positiva ao anunciado fundo de resgate da banca italiana, apesar de muitos analistas terem criticado o governo e os banqueiros transalpinos por optarem por uma “intervenção ad hoc e não por uma medida estrutural”. Sete bancos italianos registaram valorizações em bolsa superiores a 7%, e três deles inclusive acima de 10%.

Na Europa foi bem recebida a notícia de que a China e a Comissão Europeia terão concluído o trabalho técnico preliminar par que Pequim possa injetar entre 5 a 10 mil milhões de euros no Plano Juncker.

Preço do Brent perto de 45 dólares – efeito Doha continua

O mercado petrolífero continua a ser sacudido por notícias contraditórias que provocam volatilidade diária no preço do crude. Esta quarta-feira, o preço de barril de Brent, a variedade europeia de referência internacional, variou entre 43,77 dólares e 44,94 dólares, a meio da tarde, tendo fechado em 43,94 dólares, uma descida de 0,7% em relação ao fecho do dia anterior.

A subida para perto de 45 dólares fixou um máximo do ano. Em relação ao mínimo de 27,10 dólares em janeiro, o máximo de hoje do preço do Brent representa uma subida de 66%.

A expetativa continua centrada na reunião do próximo domingo em Doha entre 11 membros do cartel da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e outros países não membros, destacando-se a Rússia. O otimismo impera, esperando-se uma decisão de congelamento da produção que permita ao preço do crude não descer, travando o efeito desinflacionista mundial e o impacto negativo nos exportadores.

No entanto, o próprio cartel petrolífero anunciou esta quarta-feira que reviu em baixa a estimativa da procura mundial para 2016 e que poderá voltar a cortar nessas previsões. Sublinhou que o próprio excedente de crude no mercado internacional subirá de 760 mil barris por dia para 790 mil, se se mantiverem os níveis de março. A Bloomberg referiu que 11 dos 13 membros da OPEP que estarão em Doha no domingo já baixaram a produção em 487 mil barris em relação ao nível de janeiro.

Segundo Víctor Blanco Moro, no "El Economista" espanhol, o congelamento da produção poderá levar à eliminação do excendente atual em outubro de 2017.

As previsões do FMI apontam para um preço médio anual de 31,6 dólares em 2016 para um cabaz de barris de Brent, Dubai e WTI (variedade norte-americana), o que significará uma redução de 31,6% em relação ao preço médio de 2015. Uma subida do preço médio anual deverá verificar-se no próximo ano.

  • Presidente do Bundesbank arrefece divergências dentro do BCE. Juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos descem esta quarta-feira para 3,23%. Interrupção de negociações em Atenas provoca continuação da subida dos juros das obrigações gregas

  • Vendas para o exterior da China, segunda maior economia do mundo, aumentaram 18,7% em março, em termos homólogos, para 1,05 bilião de yuan (140 mil milhões de euros)