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BCE já foi informado sobre novo veículo para o malparado da banca

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OLIVIER HOSLET / EPA

Mario Draghi foi sensibilizado para a solução que o primeiro-ministro e o governador do Banco de Portugal preferem para aliviar a banca, noticia a TSF

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, já tem conhecimento da solução que o primeiro-ministro e o governador do Banco de Portugal preferem para aliviar a banca, avança a TSF esta terça-feira. As autoridades portuguesas querem saber como é que o veículo para o malparado da banca pode ser financiado e que garantias públicas podem ser dadas.

A criação de um veículo para acomodar ativos problemáticos tem o propósito de tirar do balanço dos bancos ativos que pesam em termos de capital, permitindo assim que seja satisfeito o crédito à economia.

O tema foi relançado nos últimos dias pelo primeiro-ministro: “Acho que era útil para o país encontrar um veículo de resolução do crédito malparado, de forma a libertar o sistema financeiro de um ónus que dificulta uma participação mais ativa nas necessidades de financiamento das empresas portuguesas”, afirmou António Costa, em entrevista à TSF e ao "Diário de Notícias".

Antes disso, na semana passada, o governador do Banco de Portugal lembrou que defende há vários anos “a criação de um veículo de titularização de crédito vencido e de ativos não geradores de receita”. Na comissão de inquérito ao Banif, Carlos Costa apontou as soluções encontradas para "bancos maus" na Irlanda (NAMA), em 2009, e para Espanha (SAREB), em 2012, onde se usaram dinheiros públicos para recapitalizar os bancos. “Eu gostaria muito de ter tido a possibilidade de criar um NAMA ou um SAREB em Portugal se eu tivesse finanças públicas capazes de suportar o financiamento”, lamentou Carlos Costa em resposta aos deputados, sublinhando que essa opção não foi adotada porque estaria “a criar uma restrição adicional no financiamento disponível para a economia”.

Também o presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB) vê com “agrado” soluções que contribuam para acelerar a recuperação de créditos em mora. Em declarações ao Expresso na segunda-feira, Faria de Oliveira conta ter proposto ao governo uma solução deste tipo em 2011, mas que tal “não foi acolhida”.

Recorde-se que Itália anunciou na segunda-feira à noite a criação de um fundo de cinco mil milhões de euros para lidar com o crédito malparado e garantir que os bancos mais fracos possam ser recapitalizados, conforme informou a agência financeira Radiocor. Chama-se Atlante (Atlas), será financiado por bancos e outros investidores privados com uma pequena participação da Caixa estatal e gerido por uma sociedade gestora de ativos, a Quaestio Capital Management Sgr.

  • Batizado Fundo Atlante (Atlas) poderá chegar a €6 mil milhões financiado por bancos e outros investidores privados com uma pequena participação da Caixa estatal e gerido por uma sociedade gestora de fundos para não provocar uma reação negativa de Bruxelas

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