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Preço, blindagem dos estatutos e OPA são informações mais aguardadas no BPI

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Rui Duarte Silva

As ações do BPI foram suspensas esta manhã pela CMVM para que seja divulgada mais informação sobre o acordo alcançado entre Isabel dos Santos e o La Caixa. O preço, a possibilidade de OPA e o fim da blindagem dos estatutos são assuntos a precisar de esclarecimentos adicionais

Há longos meses em negociação, a empresária angolana Isabel dos Santos e o espanhol La Caixa chegaram ao início da noite deste domingo a um acordo que implicará a redução da exposição do BPI a Angola e saída da empresária angolana do banco fundado por Artur Santos Silva. O acordo aguarda a "luz verde" dos bancos centrais de Portugal, Espanha e Angola.

Os termos do acordo são ainda desconhecidos, o que levou a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) a suspender esta manhã a negociação das ações do BPI. O objetivo é que haja mais informação sobre o acordo alcançado, por forma a que os investidores possam transacionar as ações com visibilidade sobre o que poderá acontecer. Com o acordo fechado na última hora, o BPI evita uma coima de cerca de 160 mil euros diária que o Banco Central Europeu (BCE) aplicaria se não fosse arranjada uma solução para a redução exposição do banco português a angola.

Esta é a terceira suspensão das ações do BPI desde 2 de março, dia em que a Bloomberg noticiou que Isabel dos Santos (18,58%) e o La Caixa (44%) estavam a negociar a compra da posição da empresária angolana pelo banco espanhol e o reforço da posição desta no Banco de Fomento Angola (BFA), onde o banco português detém o controlo (50,1%). As ações do BPI fecharam a valer 1,191 euros na passada sexta-feira.

O preço a que o acordo foi fechado – quanto pagará por ação o La Caixa a Isabel dos Santos e em quanto ficou avaliado o BFA – é a informação mais aguardada neste momento. Mas há outras questões relevantes, como a de saber se os dois maiores acionistas negociaram o fim da blindagem dos estatutos, que tem o uso dos direitos de voto limitados a 20%.

A OPA e o BFA na Bolsa

Outra questão relevante é a de saber se irá ser lançada uma oferta pública de aquisição (OPA) e a que preço. A OPA é em princípio obrigatória, e o La Caixa terá de pagar aos restantes acionistas o valor pago a Isabel dos Santos. Em fevereiro de 2015, o La Caixa ofereceu numa OPA lançada sobre o BPI 1,329 euros por ação. Mas não teve sucesso, e Isabel dos Santos foi uma das opositoras à OPA.

Resta esperar também para apurar se o BFA irá ser cotado na Bolsa de Lisboa, conforme noticiava esta manhã a imprensa. Haver mais uma empresa cotada na Bolsa de Lisboa é sempre uma boa notícia, comenta ao Expresso um analista, salientando no entanto que isso não garante que o processo seja um sucesso, uma vez que dependerá depois do desempenho da atividade do banco. Até agora, o BFA tem sido uma excelente operação, e um importante contributo para o lucro do BPI; mas nada garante que assim continue.