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Vieira Lopes, presidente da CCP. ‘‘Estamos muito longe da recuperação económica”

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João Vieira Lopes, Presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal

Jose Carlos Carvalho

O Orçamento do Estado para 2016 dá alguns passos no sentido certo, mas está ainda longe de representar o virar de página porque as empresas suspiram. A opinião é do presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, João Vieira Lopes, que lamenta que o país continue a não definir um modelo económico sustentável e que valorize a importância dos serviços.

Já se sente na economia real alguma mudança que reflita uma viragem resultante do Orçamento do Estado (OE) deste Governo?

Não se nota nada de muito concreto. Temos a expectativa que algumas medidas tragam um ligeiro aumento do poder de compra e que isso possa causar alguma inflexão na economia. Mas no contexto geral do OE não me parece que os números apresentados permitam grandes saltos.

O cenário macroeconómico do Governo é demasiado otimista?

Desde o princípio apontámos algum otimismo nas taxas de crescimento, investimento e exportações. Com o ajustamento que o OE sofreu nas negociações com Bruxelas os indicadores ficaram mais realistas mas a possibilidade de o aumento de consumo criar uma dinâmica económica mais ativa foi diminuída. Enquanto o crescimento não se sobrepuser ao centro de gravidade em torno dos défices, a Europa não arranca e não permite romper com esta situação que, não sendo de recessão, não passará de crescimento anémico.

Mas o facto de este OE devolver poder de compra às famílias não permite às empresas respirar de outra forma?

É melhor do que prosseguir uma política de contração. Há sectores que têm tido alguma animação como o turismo, a agricultura e a agroindústria. Mas quanto ao resto estamos preocupados. Porque o modelo exportador não se alterou e a análise que se faz das exportações, por lógicas nominais, é insuficiente. Portugal não tem modelo ou estratégia económica, continuamos a fazer mais do mesmo. Dizer que as exportações são uma estratégia é pobre.


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