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Prémio de risco da dívida portuguesa destacou-se nas subidas

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O risco de Portugal subiu quase meio ponto percentual durante a semana, significativamente mais do que os aumentos registados para os outros quatro periféricos do euro. Rentabilidade anual negativa da dívida portuguesa agrava-se. Alemanha paga juros negativos até prazo de 9 anos

Jorge Nascimento Rodrigues

A primeira semana de abril ficou marcada por uma subida de quase meio ponto percentual nas yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência a 10 anos no mercado secundário, em relação a 1 de abril, sessão de fecho da semana anterior. No mesmo período, o prémio de risco também subiu perto de meio ponto percentual.

As yields das OT a 10 anos fecharam em 3,35%, acima de 3,3%, o que já não se registava desde 25 de fevereiro. Um custo de financiamento acima da linha de 3% verifica-se desde 5 de abril e registou um pico durante a semana a 7 de abril fechando em 3,42%.

O prémio de risco para Portugal subiu de 279 pontos base em 1 de abril para 326 no fecho da semana, uma subida de 47 pontos base, muito superior ao aumento do risco para a Grécia (39 pontos base) ou para os outros três periféricos do euro (10 pontos base para Irlanda e 12 pontos base para Espanha e Itália) naquele mesmo período.

Cada 100 pontos base nas yields ou no prémio de risco equivalem a 1 ponto percentual. O prémio equivale ao diferencial entre os custos de financiamento das dívidas portuguesa e alemã no prazo a 10 anos. O custo de financiamento da dívida alemã serve de referência na zona euro.

Processos contra o Banco de Portugal

A semana portuguesa ficou marcada pela repercussão internacional da colocação de processos ao Banco de Portugal por parte de 14 investidores internacionais lesados pela decisão em dezembro do ano passado de transferência de cinco linhas de obrigações sénior do Novo Banco para o banco tóxico BES.

O Tesouro português regressou, esta semana, aos mercados obrigacionistas com uma colocação sindicada de 1500 milhões de euros reabrindo linhas de OT que vencem a sete e 30 anos, com uma procura registada igual ou superior a 2 vezes e meia a colocação, mas pagando mais do que em 2015, comparando com a referência alemã. Em janeiro de 2015, a 30 anos, pagara 291,2 pontos base (menos de 3 pontos percentuais) acima da referência alemã, e, agora, pagou mais 351 pontos base (ou seja, mais 3,5 pontos percentuais). No caso do prazo a sete anos, pagou mais 185,3 pontos base em setembro de 2015 e, agora, mais 286 pontos base em relação à referência alemã.

A primeira semana de abril foi de subidas das yields no mercado secundário da dívida soberana e dos prémios de risco para todos os periféricos e de descida das yields das obrigações alemãs a 10 anos (conhecidas por Bunds) abaixo de 0,1%, que servem de referência.

A polémica sobre a divulgação no sábado passado pelo WikiLeaks de uma teleconferência com declarações comprometedoras dos responsáveis do Fundo Monetário Internacional (FMI) pelo acompanhamento do resgate grego acabou por ser ultrapassada com a expetativa de um bom andamento no fecho do primeiro exame até maio. No entanto, as divergências entre Berlim e o FMI sobre o nível e a forma de uma segunda reestruturação da dívida grega permanecem, mesmo depois de uma reunião entre a chanceler Angela Merkel e a diretora-geral do Fundo Christine Lagarde. São esperados encontros à margem da reunião da Primavera do FMI na próxima semana.

Divergências no Banco Central Europeu

Os investidores em dívida soberana da zona euro ficaram a saber que as divergências dentro do Banco Central Europeu (BCE) sobre a eficácia das componentes emblemáticas do programa de incentivos são significativas, através da leitura das atas da última reunião de 10 de março divulgadas esta semana. Registaram, também, que o BCE fez um “forte apelo” aos políticos governantes nacionais e da Comissão Europeia para que a política monetária não seja “sobrecarregada” no suporte à economia.

O “Der Spiegel” fez-se eco esta semana da “crescente frustração” dos meios políticos e financeiros alemães em relação à política monetária seguida pelo BCE sob a liderança de Mario Draghi. “Recentemente, o confronto já ameaçou tornar-se prejudicial para a zona euro”, destaca o semanário germânico.

Alemanha lidera “clube” dos juros negativos

A fragmentação dentro da zona euro agravou-se. A Alemanha regista yields negativas na sua dívida obrigacionista até ao prazo de 9 anos inclusive; no final de março, estendia-se até 8 anos inclusive. A Alemanha lidera o “clube” dos emitentes de dívida obrigacionista na zona euro em que os investidores “pagam” para deter esses títulos soberanos. Áustria, Bélgica, Eslováquia, Eslovénia, Finlândia, França, Holanda e Irlanda, também, registam yields negativas em diversos prazos na dívida obrigacionista acima de 12 meses.

Na rentabilidade de toda a dívida obrigacionista nas últimas 52 semanas, a situação agravou-se durante esta primeira semana de abril para Portugal e Espanha, que registam retornos negativos, segundo o índice da Bloomberg para a dívida soberana. No caso de Portugal, a rentabilidade negativa anual agravou-se; desceu de -4,13% no final de março para -6,61% a 8 de abril. No caso de Espanha, caiu de 0,31% para -0,10%, naquele período. A rentabilidade anual média do conjunto da dívida obrigacionista europeia está em 0,74%. Desde início do ano, Portugal e Grécia registam retornos negativos: - 3,34% para a dívida portuguesa e -2,27% para a grega.