Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Citi alertou para risco de Banif não pagar ao Estado

  • 333

Plano de capitalização revelava que o Banif não seria capaz de pagar maioria do capital injetado, €1,1 mil milhões

Suzanne Plunkett / Reuters

Banco de Portugal lutou pela viabilidade do Banif, mas acabou por vergar-se à decisão do BCE de aplicar a medida de resolução

Há um manto nebuloso sobre o caso Banif. Após sete audições na comissão parlamentar de inquérito (CPI) e quase 40 horas de perguntas e respostas aos principais protagonistas portugueses da operação que culminou com a resolução do banco fundado por Horácio Roque, a 20 de dezembro de 2015, somam-se contradições, poucas certezas e muitas dúvidas. A viabilidade do Banif quando em janeiro de 2013 foram injetados pelo Estado €1,1 mil milhões, o papel do Banco de Portugal e o poder do Banco Central Europeu (BCE) são, a par da venda à medida do Santander, as grandes questões no centro da polémica, de um banco que custará aos contribuintes pelo menos €3 mil milhões.

Foi com “base num parecer de viabilidade” dado pelo Banco de Portugal (BdP) que Vítor Gaspar, então ministro das Finanças, deu luz verde à capitalização do Banif, marcando a entrada do Estado no capital do banco, tornando-se praticamente o acionista único, confirmou esta semana Maria Luís Albuquerque, à data secretária de Estado do Tesouro.

O parecer do BdP apoiou-se num relatório do Citigroup, feito em novembro de 2012, a pedido do supervisor, e citado em carta de Carlos Costa a Vítor Gaspar, missiva onde o governador do BdP diz que o Banif é viável, e justifica a necessidade de injetar capital no banco, a precisar de uma urgente recapitalização. “O BdP solicitou ainda uma avaliação independente da adequação e exequibilidade das medidas contempladas no plano de financiamento e de capital do Banif, tendo a opinião do Citi, entidade que fez essa avaliação, sido consistente com a do BdP, tanto no que se refere à razoabilidade global e credibilidade do plano apresentado, como aos riscos de execução subjacentes”, diz Carlos Costa em carta dirigida a Gaspar, a 30 de novembro de 2012. É que o então ministro das Finanças tinha, a 19 de novembro, manifestado dúvidas sobre a viabilidade do Banif, e queria saber que outras alternativas havia e quanto custavam.


Leia mais na edição deste fim de semana