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Bolsas registam perdas, lideradas por Nova Iorque. Preço do Brent sobe 8%

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A primeira semana de abril ficou marcada por uma queda de 0,55% do índice mundial bolsista. Preço do barril de Brent fechou perto de 42 dólares. Índice PSI 20 de Lisboa caiu 2,6%. FMI disse que está em “alerta”. Fed e BCE minados por divergências

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas mundiais perderam 0,55% durante a primeira semana de abril, segundo o índice MSCI respetivo. A liderarem as quedas semanais nos índices MSCI, as bolsas de Nova Iorque que perderam 1,2%, logo seguidas pelo conjunto das bolsas dos mercados emergentes, cujo índice recuou 1,1%.

Nova Iorque esteve no vermelho em três sessões da semana, a Europa em duas delas e a Ásia Pacífico em apenas uma. Os índices MSCI para a Europa e para a Ásia Pacífico registaram ganhos de 0,2% e 0,34% respetivamente. Na Bolsa de Lisboa, o índice PSI 20 perdeu 2,6% durante a semana, situando-se entre os índices que mais desceram à escala mundial. Com perdas semanais acima de 5%, incluem-se as ações da Mota-Engil, BCP, Sonae, Semapa e Energias de Portugal.

Na geografia das quedas nas principais praças financeiras, a cidade do México, Mumbai, Tóquio e Madrid lideraram com recuos de 2% ou mais nos principais índices. Ganhos semanais acima de 1,5% registaram-se nas bolsas de Moscovo e de Zurique.

A semana ficou marcada pelo impacto da revelação dos “documentos do Panamá” sobre a teia dos offshores, pela declaração da diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) que esta organização está em estado “de alerta” (ainda que “não alarmada”) sobre a situação económica global e pela revelação de divergências importantes no seio da Reserva Federal norte-americana (Fed) e do Banco Central Europeu, depois da divulgação das atas das últimas reuniões em março. Os banqueiros centrais do dólar e do euro confessaram que a política monetária tem limitações. O BCE apelou aos governos para fazerem o seu papel e não “sobrecarregarem” a política monetária. Na Fed, os técnicos avisaram que nem a política monetária nem a orçamental têm capacidade para lidar com “choques substanciais adversos”.

Christine Lagarde, a diretora-geral do FMI, antecipou que a organização vai rever em baixa as previsões macroeconómicas nos documentos que vai divulgar na próxima semana no quadro da reunião da Primavera em Washington. O “World Economic Outlook”, com as previsões, será divulgado na terça-feira.

Brent já subiu 54% desde o mínimo em janeiro

O preço do barril de petróleo de Brent fechou a subir cotando-se em 41,85 dólares a 8 de abril, um aumento de 8,2% durante a semana, graças a movimentos altistas significativos nas sessões de 6 e 8 do mês, com avanços de 5,2% e 6,1% respetivamente. Desde o mínimo do preço do Brent a 20 de janeiro, nos 27,10 dólares, a cotação já disparou 54%.

A tendência de subida desde o mínimo do atual ciclo em janeiro deste ano está a ser alimentada pela expetativa positiva em relação à próxima reunião de Doha, a 17 de abril, apontando-se para um acordo entre a maioria do cartel da OPEP e importantes não membros, como a Rússia. Alguns analistas apontam que essa expetativa é exagerada. As notícias contraditórias sobre as posições dos diversos protagonistas neste mercado têm provocado ziguezagues no preço do Brent.

No conjunto das matérias-primas, o índice CRB aumentou 1,79% e o S&P GSCI subiu 3,5% durante a semana.