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Contas externas japonesas positivas pelo 20.º mês consecutivo

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TOSHIFUMI KITAMURA/GETTY

São boas notícias para uma economia que contraiu mais do que o esperado no final de 2015

O Japão apresentou, em fevereiro, contas externas positivas pelo 20.º mês consecutivo: 2,43 biliões de ienes, aproximadamente 19,7 mil milhões de euros, o maior superavit desde março do ano passado. Os valores, divulgados esta sexta-feira pelo Ministério das Finanças japonês, ultrapassaram as previsões dos analistas: de acordo com os analistas da Bloomberg, o saldo das contas externas deveria fixar-se nos 2 biliões de ienes.

Estes resultados foram impulsionados por uma combinação entre importações de energia mais baratas, o aumento do lucro dos investimentos das empresas japonesas no estrangeiro e com o maior fluxo de turistas estrangeiros de visita ao Japão, de acordo com o Ministério. Contudo, desde o início do ano, a moeda japonesa já valorizou cerca de 11% e ameaça os exportadores japoneses, da mesma forma que promete tornar mais caras as visitas turísticas ao país.

Citado pela Bloomberg, Atsushi Takeda, economista da Itochu Corp., em Tóquio, considera que a tendência para o superavit da conta-corrente da economia japonesa irá provavelmente continuar, por agora, " a redução do preço do petróleo melhora a balança comercial e as receitas turísticas mantém-se". Contudo, afirma, "os riscos negativos para a economia do Japão estão a crescer à medida que o iene valoriza rapidamente numa altura em que as procuras doméstica e externa são fracas".

Apesar deste superavit, a terceira maior economia do mundo (depois dos Estados Unidos e da China) continua frágil e à beira da recessão. No último trimestre de 2105, a economia nipónica contraiu 1,4%, acima das expectativas do mercado (que esperavam uma contração de 1,2%).

No final do último mês de março, com a economia novamente a dar sinais de estagnação e deflação, o primeiro ministro do Japão anunciou novas medidas de estímulo à economia, aprovando um orçamento do Estado para 2016 com um valor de despesa recorde de 760 mil milhões de euros (quatro vezes mais do que vale a economia portuguesa). No final deste semestre, devem ser lançadas medidas mais contudentes, segundo os analistas, como o novo adiamento do há muito planeado agravamento do imposto sobre o consumo.