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Wall Street abre no vermelho. Europa continua em queda

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Divulgação de atas das reuniões da Fed e do BCE revelam divergências internas claras entre banqueiros centrais. Preço do barril de Brent está em queda. Índice Dow Jones 30 perde 0,7% na abertura em Nova Iorque, enquanto bolsa de Milão continua a liderar quedas na Europa. Dragi fala no Conselho de Estado em Lisboa

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas de Nova Iorque abriram em queda com os índices Dow Jones e geral do Nasdaq (a bolsa das tecnológicas) a perderem 0,7% e o S&P 500 a recuar 0,6%. Na Europa, apenas a bolsa de Zurique está a registar ganhos, com as outras principais praças no vermelho. Milão lidera as quedas, com o índice MIB a cair 1,5%. O índice Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas da zona euro) estava a perder 0,8%, no momento de abertura de Wall Street. O índice PSI 20, em Lisboa, cai mais de 1,5%, com as ações da Mota Engil a descerem mais de 6%.

Os mercados bolsistas estão a ser marcados pela revelação de claras divergências entre os banqueiros centrais do Banco Central Europeu e da Reserva Federal norte-americana (Fed), expostas pela divulgação esta quinta-feira e no dia anterior das atas das últimas reuniões de março.

Ainda que a Fed tenha reafirmado a sua estratégia de cautela e prudência quanto a novos aumentos das taxas de juro em 2016 e o BCE repita estar pronto para adotar ainda mais estímulos monetários, as divergências que vieram a lume nas atas são importantes e introduzem algum grau de incerteza sobre a eficácia da política monetária (no caso do BCE) e sobre o rumo (no caso da Fed).

Política monetária não chega

As atas revelaram ainda que a preocupação com a situação “global” dominou em março os banqueiros da Fed (a palavra é repetida 22 vezes) e que as limitações da política monetária estão bem presentes entre os banqueiros centrais europeus e norte-americanos.

Na reunião da Fed, a equipa técnica disse claramente que as políticas monetária e orçamental dos EUA podem não estar “bem posicionadas” para enfrentarem “choques substanciais adversos” e a reunião do BCE terminou com um “forte apelo” a que as “outras áreas de políticas” avancem para evitar “o risco de sobrecarregar a política monetária”.

Mario Draghi, na sua intervenção esta quinta-feira à tarde em Lisboa perante os conselheiros de Estado portugueses, frisou que "o BCE não pode, porém, criar sozinho as condições para uma recuperação sustentável do crescimento", segundo as notas introdutórias divulgadas pelo sítio do banco central. "As nossas políticas podem apoiar a retoma cíclica, mas não podem, por si só, eliminar obstáculos estruturais ao crescimento. Tal exige um esforço concertado em termos de políticas económicas e orçamentais", concluiu sobre este ponto.

Mesmo tendo em consideração os países do euro - nos quais se insere Portugal - onde "a margem orçamental para apoiar o crescimento é atualmente limitada" e se deve evitar "que a distensão das regras orçamentais" implique "perderem a credibilidade", Draghi não deixa de acrescentar que "existe, todavia, latitude para que todos os países intensifiquem os esforços no sentido de tornar as respetivas estruturas fiscais e a despesa pública mais favoráveis ao crescimento e, entre outros aspetos, redirecionar a despesa pública para o investimento, investigação e educação".

Esta quinta-feira está a ser marcada por uma forte “presença” mediática do BCE. O vice-presidente Vítor Constâncio apresentou o Relatório de 2015 do banco central no Parlamento Europeu em Bruxelas, o BCE divulgou as atas da sua reunião de 10 de março, o economista-chefe Peter Praet já discursou numa conferência em Frankfurt, e Mario Draghi realiza uma intervenção no primeiro ponto da agenda do Conselho de Estado português em Lisboa.

A incerteza sobre os resultados que poderão ser obtidos na reunião de Doha a 17 de abril entre membros e não membros do cartel da OPEP influencia o mercado petrolífero, com os preços do barril de crude a reagirem a declarações num sentido otimista ou pessimista de protagonistas dos países envolvidos. O preço do barril de Brent fechou a sessão asiática acima de 40 dólares, mas está, agora, na abertura da praça de Nova Iorque, a descer para próximo de 39 dólares, um recuo de quase 2% em relação ao valor de fecho de quarta-feira.

A conjugação dos dois “sentimentos” levou a um fecho “misto” nas bolsas da Ásia Pacífico e a uma trajetória negativa na Europa e nos Estados Unidos até agora.