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Odebrecht Portugal admite vender ativos

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A Odebrecht permanece firme no mercado português, mas admite vender participações se as propostas forem atrativas

A Odebrecht Portugal garante que a operação no mercado português mantém “um caráter estratégico” e não será afetada pela profunda reorganização que envolve a casa-mãe no Brasil por causa da operação Lava Jato.

Sobre as notícias publicadas no Brasil sobre alegados pagamentos suspeitos da casa-mãe na construção da barragem do Baixo Sabor (EDP),a companhia não se pronuncia.

A constrtutora admite vender as posições nos consórcios em que participa e diz que já ajustou a estrutura à escassez de obras no mercado.

“Não existe qualquer decisão de alienação de ativos em Portugal, o que não impede que se façam bons negócios se e quando surgirem”, respondeu a empresa ao Expresso acerca das posições que detém, por exemplo, nas concessionárias da Autoestrada da Grande Lisboa (14,2%), Baixo Tejo (7,9%), e no consórcio de alta velocidade Elos (13%).

A companhia valoriza, no último relatório estas participações financeiras ao preço de custo: 14,5 milhões de euros.

A Odebrecht Portugal conta com uma sucursal para o mercado espanhol e opera na Guiné-Conacri, país no qual concluiu uma obra relevante para a mineira Rio Tinto. Na Líbia, participava no consórcio responsável pelo novo terminal do aeroporto de Tripoli, uma empreitada interrompida quando a guerra civil deflagrou no país. A Odebrecht regista uma dívida da Líbia de 40 milhões e tem procurado acertar contas com as autoridades locais.

Estrutura adaptada

A construtora não escapa ilesa da sova que a indústria está a levar em Portugal, tendo reduzido em quatro anos a carteira e faturação para um terço. Em 2014, a receita de 48 milhões, compara com o valor de 145 milhões em 2011.

Os resultados permanecem positivos, mas muito longe da prosperidade de exercícios passados. Em 2014, os lucros foram de 900 mil euros, quando em 2010 tinham sido de 76 milhões. No relatório de 2014, a Odebrecht Portugal releva a “rentabilidade e solidez apreciáveis”. No fim de 2014, o capital próprio estava nos 134 milhões de euros.

Acerca de um eventual emagrecimento da estrutura face à escassez de obras, a Odebrecht Portugal. responde ao Expresso que “tem vindo a adaptar gradualmente o quadro de pessoal ao atual contexto de mercado, pelo que não se esperam alterações relevantes”. Após a conclusão da empreitada na Guiné Conacri, o universo laboral estabilizou em 250 assalariados.

Vender no Brasil para sobreviver

No Brasil, a Odebrecht está vendedora de ativos para aliviar o sufoco financeiro e abater o passivo gigantesco.

Os números impressionam: 21,8 mil milhões de euros de dívida e ativos para venda de 2,9 mil milhões, um valor que os responsáveis do conglomerado consideram suficientes para “atravessar o atual furacão”.