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Juros da dívida portuguesa em alta e bolsas europeias viram para o vermelho

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Os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos subiram para 3,25% no mercado secundário e as principais praças financeiras da Europa estão em terreno negativo. Lisboa segue tendência de baixa. Mercados aguardam divulgação das atas da reunião do BCE de março

Jorge Nascimento Rodrigues

Quatro dos periféricos da zona euro registam esta quinta-feira ao final da manhã subidas das yields da dívida obrigacionista a 10 anos no mercado secundário e as bolsas europeias viraram para terreno negativo, a pouco mais de uma hora da publicação pelo Banco Central Europeu (BCE) das atas da sua última reunião a 10 de março, onde foi aprovado um importante pacote de novas medidas de estímulos monetários.

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT), no prazo de referência a 10 anos, estão em alta no mercado secundário, tendo subido para 3,25% pelas 11 horas (hora de Portugal), um aumento de sete pontos base em relação ao fecho de quarta-feira. As yields das OT a 10 anos estão acima de 3% deste terça-feira.

O movimento de alta é extensivo às obrigações espanholas, italianas e irlandesas; a Grécia é a exceção, com as yields a descerem.

No mercado bolsista, a Europa abriu em terreno “misto”, mas virou para o vermelho, com Milão a liderar as quedas com uma descida de 1% do índice MIB, pelas 11 horas. Apenas a praça de Zurique escapa claramente ao movimento de baixa, com Amesterdão e Londres a oscilar acima e abaixo da linha de água. O índice PSI 20, da Bolsa de Lisboa, está em linha com a trajetória europeia, perdendo 1,3%, com as ações do BCP a liderarem com uma quebra de 4,5%.

A expetativa centra-se, agora, nas atas da reunião de 10 de março que serão divulgadas pelas 12h30 (hora de Portugal). No entanto, já esta quinta-feira de manhã o tom do BCE foi marcado por declarações de três altos responsáveis.

O BCE reafirmou hoje que está pronto para avançar com mais estímulos monetários se a situação o exigir. Mario Draghi, na introdução ao Relatório anual (de 2015) hoje publicado, disse que os banqueiros centrais da zona euro “não se rendem” à pressão da desinflação. O economista-chefe do BCE, Peter Praet, repetiu em Frankfurt numa conferência no Center for Financial Studies a mesma mensagem. No entanto, a equipa de Draghi não pretende entrar no debate sobre o “dinheiro atirado de helicóptero”, como arma extrema de política monetária, que tem ultimamente sido um dos temas em destaque entre os analistas. Vítor Constâncio disse perante o Parlamento Europeu, ao apresentar o Relatório de 2015, que o assunto “não está em cima da mesa de nenhuma forma ou feitio” e Praet referiu, por seu lado, que a medida não foi discutida “informalmente” e que permanece como “uma espécie de conceito académico”.

Os media financeiros internacionais têm destacado, também, na agenda desta quinta-feira a participação do presidente do BCE na primeira parte do Conselho de Estado português que se realiza esta tarde.

  • É baixa a probabilidade de um aumento das taxas de juro pela Fed norte-americana em abril, o que tranquilizou os investidores. No mercado petrolífero há sinais contraditórios. Esta quarta-feira é a vez de serem divulgadas as atas da última reunião do BCE ao final da manhã e Mario Draghi intervém, à tarde, no Conselho de Estado português