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FMI em Angola. Construtoras acreditam que vão receber dívidas em atraso

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João Carlos Santos

As construtoras que operam em Angola aprovam a intervenção do FMI em Angola. Acreditam que o financiamento à economia permita receber as dívidas que se eternizam. No total serão mais de €2 mil milhões

As construtoras portuguesas que operam em Angola acreditam que o financiamento da economia através da intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI) permita a regularização das dívidas passadas.

A produção de um ano em Angola representa 2 mil milhões de euros, um terço do negócio no exterior da indústria. Os pagamento em atraso não andarão longe daquele valor.

“A situação só pode melhorar. Neste momento, a indústria está quase parada e as obras em execução decorrem a um ritmo muito lento”, comenta ao Expresso o presidente da Lena, Joaquim Paulo Conceição.

A Lena é credora de perto de 100 milhões de euros do mercado angolano. E o seu presidente acredita que o empréstimo do FMI permita ao Estado “regularizar as dívidas passadas e financiar as principais obras que estão suspensas”.

Situação limite

Reis Campos, presidente da associação sectorial AICCOPN, subscreve a visão virtuosa da intervenção do FMI e a convicção de que as construtoras receberão os seus créditos, em especial do Estado.

O pedido de ajuda confirma que Angola está “numa situação limite e manifesta a firme vontade de a resolver”, comenta o empresário. A fileira da construção foi a que sofreu “um desgaste mais acentuado com a falta de divisas no país e só a tem a beneficiar com a clarificação da situação”.

Reis Campos admite que permaneçam ativas no mercado 9 mil empresas da fileira da engenharia e construção e que o número de trabalhadores portugueses ronde os 130 mil.

Os presidentes da Lena e AICCOPN admitem que, num primeiro momento, o programa de ajustamento do FMI conduza a corte no investimento e redução de obras públicas. Mas, constutoras ficam a saber com o que podem contar.

O novo programa “terá soluções de financiamento adequadas e qualquer cenário é melhor do que o atual”, diz Joaquim Paulo Conceição.

O ambiente fica “mais amigável e desanuviado para as constutoras“ que sempre apostaram em Angola “com um caráter estratégico e uma lógica de longo prazo”, refere Reis Campos

Evitar especulações

Já Gonçalo Moura Martins, presidente da Mota-Engil e Pedro Gonçalves, presidente do conglomerado Elevo, evitam tecer comentários sobre os efeitos da intervenção do FMI.

“É um exercício de especulação avançar comentários sem conhecer as medidas, nem o tipo de apoio que Angola solicitou”, argumenta Pedro Gonçalves.

Por isso, o gestor resume a sua narrativa a uma declaração genérica: “As medidas que as autoridades angolanas considerem adequadas e boas para o país serão também adequadas e boas para as construtoras que operam no mercado”, diz Pedro Gonçalves.