Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Europa fecha no vermelho. Juros da dívida portuguesa disparam

  • 333

As bolsas europeias fecharam com perdas esta quinta-feira, lideradas por Milão, onde as ações de seis bancos desceram mais de 5%. Índice PSI 20 de Lisboa perdeu quase 1,9%. Juros das obrigações portuguesas a 10 anos fecham acima de 3,4%

Jorge Nascimento Rodrigues

Todas as principais praças financeiras europeias fecharam em terreno negativo. A bolsa de Milão liderou as quedas, com o índice MIB a perder 2,25%. Seis bancos italianos cotados em Milão perderam mais de 5%, com as ações do Banco Monte dei Paschi di Sierra a caírem mais de 8%.

À escala europeia, o índice Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas da zona weuro) fechou registando uma queda de 1,35%, destacando-se as perdas superiores a 5% do Unicredit italiano e da Daimler alemã. Na Bolsa de Lisboa, o índice PSI 20 recuou 1,89%, com as ações do BCP a perderem 4,86% e as da Mota Engil a descerem 3,6%.

No mercado secundário da dívida soberana da zona euro foi um dia de subidas para as yields das obrigações dos periféricos, com exceção da Grécia. As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) que vencem em 2026 subiram para 3,42% no fecho, tendo tido um pico em 3,43%. Registou-se um aumento de 24 pontos base em relação ao fecho do dia anterior, que se destaca como a maior subida do dia entre os periféricos. Em relação a 1 de abril, as yields das OT a 10 anos ultrapassaram o limiar dos 3% na terça-feira e já subiram meio ponto percentual desde início do mês. No ciclo de 2016, o mínimo nas yields das OT a 10 anos registou-se a 1 de janeiro, em 2,5%, e o pico a 11 de fevereiro em 4,5%.

No prazo de referência, a 10 anos, as yields das obrigações espanholas subiram 10 pontos base, as das obrigações italianas avançaram 11 pontos base, e as das obrigações irlandesas aumentaram seis pontos base. A Grécia é a exceção, registando-se uma descida de 12 pontos base das yields das obrigações a 10 anos.

Com a descida das yields das obrigações alemãs para menos de 0,1%, o prémio de risco da dívida portuguesa subiu hoje para 333 pontos base, o que representa um diferencial de mais de 3,3 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã.

Os mercados financeiros europeus estão a ser afetados negativamente pelas dúvidas sobre os resultados da aprazada reunião de Doha de membros e não membros do cartel petrolífero da OPEP e pela revelação de divergências claras no seio do Banco Central Europeu (BCE) e da Reserva Federal norte-americana, segundo as atas das reuniões de março reveladas esta semana.

Há ainda a constatação de uma confissão dos banqueiros centrais dos dois lados do Atlântico Norte de que a política monetária é insuficiente. O BCE fez mesmo um "forte apelo" às autoridades políticas europeias para desempenharem o seu papel e não "sobrecarregarem" a política monetária, segundo se lê no final das atas da reunião de 10 de março. Os especialistas da Fed disseram, em março, aos banqueiros da equipa chefiada por Janet Yellen que as política monetária e orçamental são insuficientes para lidarem com "choques substanciais adversos".

Portugal em destaque, relativa acalmia quanto à Grécia

No caso português, regista-se um impacto negativo do facto de investidores internacionais estarem a processar o Banco de Portugal e reavivou-se a especulação sobre a decisão que a agência de notação canadiana DBRS poderá tomar sobre o rating de Portugal a 29 de abril.

Em contraste na Grécia, há uma relativa acalmia. As negociações para conclusão do primeiro exame ao resgate da Grécia parecem estar bem encaminhadas, depois de ter sido ultrapassada a polémica do fim de semana com a divulgação pelo WikiLeaks de uma discussão interna da equipa do Fundo Monetário Internacional (FMI) que acompanha o caso helénico. O ministro das Finanças grego, Euclid Tsakalotos, indicou que estava fechado um acordo para um novo pacote de medidas equivalentes a 3% do PIB abrangendo as áreas das pensões, a fiscalidade direta e medidas orçamentais suplementares. Tsakalotos adiantou que deverá ser redigido, este fim de semana, um “rascunho” sobre os passos a dar e que provavelmente serão concluídos dois acordos distintos, um com os credores oficiais europeus e outro distinto com o FMI.