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Centeno explica atraso na solução do Banif: “Entrámos na fase da saída limpa a que se seguiu a fase eleitoral”

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José Caria

Ministro dispara contra governo anterior, Banco de Portugal e autoridades europeias. Resolução foi a solução melhor em dezembro. Liquidação custaria mais de €5000 milhões

O ministro das Finanças acusa o anterior governo de se ter desligado do problema do Banif a partir de 2014. Primeiro devido ao final do programa da troika, que terminou em maio desse ano, e depois, já em 2015, por causa das eleições legislativas. “Entrámos na fase da saída limpa a que se seguiu a fase eleitoral”, disse Mário Centeno hoje no Parlamento onde está a ser ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito ao Banif.

Centeno começou mesmo por brincar com o facto de, no final da audição, ter já estado “quase tantas horas na comissão [parlamentar] como aquelas que o governo teve para resolver problema do Banif”. Na transição de pastas entre os dois governos, o tema Banif foi “sinalizado”, disse o ministro, acrescentando ainda que direção-geral de Concorrência europeia (DG Comp) reconheceu que o governo anterior tinha deixado de tentar encontrar uma solução para o banco há mais de um ano.

De facto, na troca de correspondência entre Banco de Portugal (BdP) e ministério das Finanças entre 2010 e 2015, a que o Expresso teve acesso, não há contactos entre as duas entidades entre abril de 2014 e maio de 2015, à exceção do simples envio de relatórios trimestrais de acompanhamento da situação por parte do banco central.

Finanças e BdP estão, de resto, ambos na mira de Centeno: “A situação foi arrastada durante três anos com responsabilidades políticas e de supervisão.” Não poupou também as autoridades europeias que faziam “recomendações veladas em privado” mas não em público.

A solução definitiva de resolução foi tomada no prazo de dois dias, entre 18 e 20 de dezembro quando foi anunciada a resolução. Gorada a possibilidade de venda voluntária e excluindo as propostas com ajuda pública, sobravam apenas três das quais uma – da JC Flowers – não tinha licença bancária e a excluía também do processo.

Ficaram duas no final: bancos Santander e Popular. “A proposta inicial do Santander era claramente superior”, assegurou Centeno. Foi a que vingou e custou €2255 milhões. A alternativa era a liquidação que, “de acordo com a estimativa do BdP, conduziria a um impacto superior a €5000 milhões e levaria ao colapso do Fundo de Garantia de Depósitos”, acrescentou ainda o ministro das Finanças.