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Subir taxas de juro em abril dividiu banqueiros centrais dos EUA em março

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A reunião de 15 e 16 de março foi dominada por um aceso debate sobre subir ou não as taxas de juro na reunião … do mês seguinte. A prudência venceu. Os banqueiros da Fed duvidam que as políticas monetária e orçamental consigam contrariar “choques substanciais adversos”, lê-se nas atas da reunião divulgadas esta quarta-feira já depois de fechados os mercados na Europa

Jorge Nascimento Rodrigues

Os banqueiros centrais norte-americanos expressaram na reunião de março “uma gama de pontos de vista” muito variados, e contraditórios, a propósito de um aumento das taxas de juro pela Reserva Federal (Fed) na reunião seguinte a 27 de abril e também sobre as perspetivas da inflação, segundo as atas divulgadas esta quarta-feira já depois de fechados os mercados financeiros europeus.

Num quadro de divergências entre os participantes, acabou por imperar a posição de que seria prudente agir com cautela. Prudência e cautela têm, aliás, sido palavras-chave usadas pela presidente da Fed, a economista Janet Yellen, para comunicar a política monetária do mais importante banco central do mundo depois do aumento das taxas de juro em dezembro.

Os analistas interpretaram o sentido das discussões reveladas nestas atas como indicando ser altamente improvável uma nova subida das taxas de juro na reunião do final de abril.

Limitações das políticas monetária e orçamental

Além das divergências claras sobre subir ou não as taxas em abril, não passou despercebido aos analistas o facto de, na perspetiva económica apresentada pela equipa técnica da Fed, se sublinhar que “nem a política monetária nem a política orçamental estão bem posicionadas para ajudar a economia [norte-americana] a suportar choques substanciais adversos”. Por isso, os riscos para a previsão sobre o PIB real norte-americano foram considerados “enviesados no sentido descendente”.

Muitos dos participantes afirmaram, aliás, que a situação económica e financeira global continua a colocar "riscos apreciáveis" para a economia doméstica. A palavra "global" surge 22 vezes nas atas, segundo o site "Zero Hedge", refletindo a preocupação com o contexto mundial. Alguns consideraram inclusive que, avançar com um segundo aumento das taxas de juro no final de abril, seria dar “um sinal de um sentido de urgência não apropriado”. Diversos participantes indicaram que, na presença de "elevados riscos globais" e face à "capacidade assimétrica da política monetária para lhes responder", exige-se cuidado nos ajustamentos a fazer na política monetária dos EUA.

Decisão adiada para dezembro?

Após a divulgação destas atas da reunião de março, as probabilidades de um novo aumento das taxas de juro reduziram-se para todas as reuniões do Comité de Política Monetária da Fed até final do ano. Até à reunião de 2 de novembro inclusive registam-se probabilidades inferiores a 50% para um novo aumento, segundo os futuros das taxas de juro da Fed observados pela CME no seu “Countdown to FOMC” atualizado em permanência.

Uma probabilidade de 60% surge para a reunião de 21 de dezembro; minutos antes da divulgação das atas estava em 63%. Estas probabilidade refletem o “sentimento” do mercado sobre o que a equipa de Yellen poderá fazer.