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O modelo catalão que inspirou Maria Luís dificilmente teria sucesso no Banif

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A ex-ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, acreditou até ao fim que o desfecho do Banif seria a venda, disse repetidamente na Assembleia da República, tal como aconteceu com o espanhol Caixa Catalunya

O Caixa Catalunya, cujo modelo de reestruturação inspirou as Finanças para o Banif, conforme confirmou Maria Luís Albuquerque, teve o plano aprovado em 2012, dois anos antes de ser vendido, o que aconteceu em 2014. Foi contratada inclusive a consultora espanhola N+1 que tinha assessorado o processo de restruturação do Caixa Catalunha, um banco 14 mil milhões de euros de ativos.

A ex-ministra quis imitar a solução e aproveitar o precedente. Ao banco da Catalunha, a direção geral da concorrência Europeia não considerou ajuda de Estado, apesar de ter levantado questões.

Mas entre os dois processos - Caixa da Catalunha e Banif - existem diferenças, denunciou a deputado do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua. "Aqui tenta-se vender um banco que não tinha plano de reestruturação. E era preciso aprová-lo e vender logo (em pouco mais de dois meses)", explica. O Caixa Catalunha teve o plano aprovado e só foi vendido dois anos depois, sublinha. "Em novembro o Banif não tinha plano de reestruturação aprovado, tinha de separar os ativos não rentáveis e vender tudo até final de 2015", atira.

A ex-ministra defende-se: "O banco da Catalunha tinha tido um plano aprovado, mas não o cumpriu. Ainda assim foi possível obter essa solução ("luz verde" da DGcom para não ser considerado ajuda de Estado". E acrescentou: "O tempo é irrelevante".