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Maria Luís diz que "estranhou" a mudança de posicionamento face ao plano de reestruturação do Banif

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Marcos Borga

A ex-ministra das Finanças diz que a mudança de prazo para resolver a questão do Banif até ao final de 2015 "é estranha porque foi súbita". Defende que ficou "desagradada" com o facto de a 17 de novembro de 2015 ter percebido que o plano de reestruturação tinha sido abandonado. E frisa que "nada fazia prever" este desfecho

Anabela Campos

Anabela Campos

Texto

Jornalista

Isabel Vicente

Isabel Vicente

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Jornalista

"A alteração das regras (da União Bancária) em 2016 não era surpresa para ninguém. Sabíamos todos que ia mudar", diz a ex-ministra das Finanças. "Até que no meio de incerteza política essa questão de ter que concluir o processo do Banif até ao final de 2015 aparece" no carta de 12 de novembro, sublinha Maria Luís Albuquerque, na comissão parlamentar de inquérito ao banco fundado por Horácio Roque. E esclarece: "é estranho porque foi uma mudança súbita". No entanto, a ex-governante diz desconhecer a razão da mudança. "Tenho dificuldade em especular sobre essa mudança", afirma.

Maria Luís Albuquerque defendeu que ficou "desagradada" com a carta de 17 de novembro de 2015 do Banco de Portugal (BdP) onde este lhe diz que tinha sido abandonado o plano de reestruturação do Banif e que havia uma nova solução."Até à altura estava a trabalhar na aprovação do plano de reestruturação (...) E não concordava com uma solução que tivesse custos para os contribuintes".

"Até 17 de novembro de 2015 pedia-se que se defendesse a aprovação do plano de reestruturação e a partir dessa data passa a falar-se de uma intervenção diferente com uma capitalização pública. Com essa decisão eu não concordava", diz a ex-ministra das Finanças, que deixa o cargo a 26 de novembro quando Mário Centeno assumiu a pasta.

"Quando cessei funções a 26 de novembro nada me fazia prever este desfecho, com estes custos para os contribuintes", sublinha.

Entre as eleições e a tomada de posse do novo governo, "o BdP passou a ter um diálogo mais direto com a DGCom (direção geral da concorrência), até lá não tinha. É natural face à instabilidade que se vivia então".

Maria Luís Albquerque salientou também que em todas as reuniões que o Ministério das Finanças participou em conjunto com o BdP "o alinhamento era total", ou seja, as autoridades portuguesas estavam empenhadas em avançar com o plano de reestruturação, que depois culminaria com uma venda. Foi esta a resposta que a antiga ministra deu à pergunta de João Almeida do CDS sobre uma carta de 15 de outubro do governador do BdP onde este dizia que "temos todos aceitar o que o BCE decidir" e as "condições impostas" pela DGCom. Maria Luís Alburquerque reforça ainda relendo a referida carta: "É claro que o BdP estava alinhado com o plano apresentado, mas admitia que podiam ter de ser feitas algumas alterações".