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Bastonário dos engenheiros diz que Brisa não respeitou “princípío da precaução” na A14

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PAULO NOVAIS / Lusa

Carlos Matias Ramos apela uma inspeção a todas as soluções idênticas à que ruiu na A14 e admite que a Brisa deveria ter atuado “por antecipação”

O bastonário da Ordem dos Engenheiros admite que a Brisa falhou por não ter atuado antes do colapso no caso da conduta que esta sábado ruiu na A14 (Coimbra-Figueira da Foz).

Mas a principal conclusão que Carlos Matias Ramos retira deste caso surge em modo de apelo. O bastonário apela a todas as concessionárias rodoviárias e organismos públicos que procedam a uma inspeção às soluções construtivas idênticas à que foi utilizada na passagem hidráulica na Autoestrada do Baixo Mondego (A14). A utilização daquele tipo de condutas onduladas, com aço especial, “é vulgar e nada complexa” e muito popular em projetos nos Estados Unidos.

O bastonário não critica a solução adotada pela então Junta Autónoma de Estradas (JAE) em 1994, mas se na altura do projeto se antecipasse um ciclo de vida tão curto certamente “que poderia existiu uma alternativa mais vantajosa”.

Não é suposto nem admissível “que o material se degrade e rompa ao fim de 20 anos anos de vida”. “É pouco, muito pouco”, diz Carlos Matias Ramos.

A conduta “rompeu, o problema foi a resistência mecânica do material”, comenta. Segundo o Expresso apurou, terá sido uma brusca variação de pressão que terá levado ao colapso.

Princípio da precaução

Em nome do princípio da precaução, Carlos Matias Ramos aconselha a uma avaliação do estado de estututuras análogas e que este caso promova a reflexão sobre as vantagens técnicas e económicas de cada solução construtiva.

O bastonário da Ordem dos Engenheiros não aponta o dedo acusador à Brisa, mas partilha a perplexidade de quem verifica que a ameaça estava sinalizada e monitorizada, sem que tenha sido resolvida a tempo. E admite que a concessionária da A14 terá falhado no tal princípio da precaução.

“A avaliação existiu, mas a intervenção não ocorreu em tempo oportuno. Não sei porque razão a intervenção não foi realizada mais cedo”, comenta. Nem sempre "a decisão sobre o momento da intervenção é fácil de tomar”, depois de verficada a instabilidade estrutural, mas é sempre aconselhável “atuar-se em antecipação”, conclui o bastonário.

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