Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Portugal não pode “ignorar” possibilidade de corte no rating da DBRS

  • 333

PETER PARKS / AFP / Getty Images

O diretor do Mecanismo Europeu de Estabilidade, Klaus Regling, avisa que algumas decisões do Governo, como a reversão dos cortes na função pública, podem ter um impacto negativo na competitividade, e afetar a avaliação da agência de notação financeira DBRS a Portugal

O responsável pelo fundo de resgate da zona euro, que emprestou 26 mil milhões de euros a Portugal durante a programa de assistência, reconhece que há preocupação com a trajetória da dívida portuguesa e com a possibilidade de “ser menos positiva do que se pensava há alguns meses”, o que a confirmar-se poderia levar as agências de rating a reagir.

Na semana passada, a agência de notação financeira canadiana DBRS admitiu que pode cortar o “rating” a Portugal se o crescimento económico não chegar para reduzir a dívida pública.

A DBRS é a única agência – aceite pelo BCE para efeitos de empréstimos regulares – que mantém a dívida portuguesa acima de “lixo” e atribui uma nota de investimento a Portugal. Esta condição é fundamental para que o Banco Central Europeu continue a comprar dívida pública portuguesa no âmbito do programa de compra de ativos (quantitative easing).

“É claro que isto é algo que o Governo português deve ter em mente e não pode ignorar, mas que vai além da questão orçamental”, disse esta terça.feira no Luxemburgo Klaus Regling, diretor do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), num encontro com jornalistas.

“No final de contas, é uma questão de competitividade da economia e algumas das medidas que foram tomadas pelo governo português podem ter um impacto negativo na competitividade”, diz o diretor do MEE, dando como exemplo a reversão dos cortes na função pública: “Reverter alguns dos cortes sobre o rendimento que foram introduzidos durante o programa (de assistência) poderia prejudicar a competitividade”.

A DBRS volta a avaliar a dívida pública portuguesa a 29 de abril, e deverá ter em conta a sustentabilidade das políticas económicas, o crescimento económico e o impacto na redução da dívida pública.

Questionado ainda pelo Expresso sobre a possibilidade de um alívio da dívida para Portugal, Klaus Regling diz que não vê “qualquer necessidade para que isso aconteça”.

O Mecanismo Europeu de Estabilidade, foi criado para prestar assistência financeira aos Estados-membros da moeda única, estando diretamente envolvido no programa de assistência financeira à Grécia.