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Juros da dívida em alta. Bolsas no vermelho

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Os juros das Obrigações do Tesouro português registam valores acima de 3% num dia de alta nos juros da dívida dos periféricos no mercado secundário e de descida para perto de mínimos do custo de financiamento da dívida alemã. Bolsa de Tóquio caiu mais de 2%, Milão e Frankfurt com perdas superiores a 2%, Wall Street abriu em queda pelo segundo dia consecutivo. FMI está "em alerta"

Jorge Nascimento Rodrigues

Os mercados financeiros estão a ser marcados esta terça-feira por pessimismo.

A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) disse esta terça-feira em Frankfurt em entrevista à Bloomberg que “está em alerta, mas não alarmada” e que o contexto mundial continua marcado por um “crescimento medíocre” e por “riscos políticos”, entre os quais o terrorismo e a eventualidade de uma saída do Reino Unido da União Europeia. Foram as principais mensagens que Christine Lagarde deixou, também, numa conferência que proferiu na cidade alemã organizada pelo Bundesbank e pela Universidade Goethe. O FMI realiza a assembleia geral da Primavera na próxima semana entre 15 e 17 de abril e são aguardadas as novas previsões de crescimento mundial, que já foram revistas em baixa em janeiro.

As expetativas positivas sobre a reunião de Doha a 17 de abril entre o cartel petrolífero e exportadores não membros da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) estão a esfumar-se. O preço do barril de petróleo de Brent está abaixo de 40 dólares há seis sessões consecutivas. À hora de abertura de Wall Street, o barril de Brent negociava em 37,5 dólares. Nas duas sessões anteriores perdeu 5%.

Nos Estados Unidos, foi divulgado na segunda-feira que as novas encomendas no sector industrial em fevereiro caíram 1,7% depois de terem crescido 1,6% no mês anterior.

Os mercados bolsistas de Nova Iorque acabaram de abrir pelas 14h30 (hora de Portugal) em baixa. A manter-se a trajetória, será uma segunda sessão no vermelho esta semana. Na segunda-feira, as bolsas dos Estados Unidos perderam 0,32% segundo o índice MSCI respetivo.

Na Europa domina a maré vermelha. O índice Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas da zona euro) perde mais de 2%. A Bolsa de Milão lidera as quedas nas principais praças financeiras com o índice MIB a recuar 2,7%. Em Lisboa, o índice PSI 20 cai 1,7%.

A maioria das praças financeiras da Ásia Pacífico fechou esta terça-feira registando perdas, com destaque, de novo, para Tóquio, onde o índice Nikkei 225 caiu 2,42%, estando há seis sessões consecutivas em baixa. Escapou à maré vermelha a China, com o CSI 300 (das trezentas principais cotadas nas duas bolsas de Xangai e Shenzhen) a subir 1,26%, um índice em alta há quatro sessões.

Mercado da dívida dividido

À hora de abertura do mercado norte-americano nesta terça-feira, as yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência, a 10 anos, estavam no mercado secundário da dívida soberana acima de 3%, o que já não se observava desde 10 de março. As yields da linha obrigacionista que vence em 2026 estão acima de 3,1%, uma subida de 16 pontos base em relação ao fecho do dia anterior.

As yields das obrigações a 10 anos de todos os periféricos estão em alta, com destaque para Portugal (subida de 16 pontos base) e Grécia (subida de 10 pontos base, estando em 9,18%).

Relativamente a Portugal foi hoje notícia em destaque no portal internacional "Central Banking" a noticia do jornal "Financial Times" sobre a decisão de 14 investidores internacionais em contratar o escritório britânico de advogados Clifford Chance para avançar com um processo contra o Banco de Portugal exigindo a recuperação das perdas resultantes da decisão da equipa de Carlos Costa em transferir para o "banco mau" do BES cinco linhas obrigacionistas do Novo Banco.

Em contraste, as yields das obrigações alemãs no prazo de referência caíram para 0,09%. O mínimo histórico de 0,049% foi registado em 17 de abril de 2015.