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Lagarde responde a Tsipras: pede respeito pela privacidade e exige segurança da equipa do FMI

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A diretora-geral do FMI divulgou publicamente a carta de resposta ao governo grego sobre a "fuga" divulgada pelo WikiLeaks no sábado. Diz que ainda está distante um acordo para um “programa coerente” e acha “absurdo” que se pense que a equipa liderada por Poul Thomsen e Delia Velculescu fosse usar “um evento de crédito como tática de negociação”

Jorge Nascimento Rodrigues

A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) reafirma em carta ao primeiro-ministro grego que só pode apoiar um programa de resgate à Grécia que seja “credível” e que assente em “pressupostos realistas” e mantém a confiança na sua equipa que tem acompanhado o processo, autorizando-a a regressar a Atenas para prosseguir as negociações.

Christine Lagarde foi célere a responder a Alexis Tsipras acerca da publicação no sábado pelo WikiLeaks de uma transcrição de uma discussão interna entre os principais quadros do FMI responsáveis pelo acompanhamento do programa de resgate à Grécia em que se especulava sobre a possibilidade de alavancar um “evento” que obrigasse o governo de Atenas e os credores oficiais europeus, nomeadamente a Alemanha, a aceitarem no princípio do verão as exigências do FMI – mais austeridade por parte dos gregos e uma nova reestruturação da dívida helénica por parte dos credores europeus.

A diretora-geral do FMI pretende colocar um ponto final sobre a menção a um tal “evento” que surge na transcrição da alegada discussão interna a 19 de março entre Poul Thomsen, diretor do Departamento Europeu do FMI, e Delia Velculescu, chefe da Missão do Fundo em Atenas. "Qualquer especulação de que o pessoal do FMI poderia considerar o uso de um evento de crédito como uma tática de negociação é simplesmente absurdo", garante a Tsipras.

Lagarde diz que o “incidente do fim de semana” a deixa preocupada sobre a possibilidade de “obter progressos num clima de extrema sensibilidade a declarações de cada lado”. E sublinha que um acordo com o governo de Atenas em torno de “um programa coerente” ainda está a “uma boa distância” de ser conseguido e de o poder apresentar à direção do Fundo para aprovação. Recorde-se que o FMI acompanha tecnicamente o terceiro resgate aprovado pela Comissão Europeia no verão passado, mas ainda não se envolveu plenamente com um novo financiamento à Grécia, participando no pacote de financiamento até 2018.

Nesta missiva aos gregos, a diretora-geral do FMI reafirma “total confiança e apoio pessoal” à sua “experiente equipa" (liderada por Thomsen e Velculescu) e pede que a “privacidade das suas discussões internas” seja respeitada e que o governo em Atenas “garanta a sua segurança pessoal”. Remata que “o FMI participa em negociações de boa fé, e não por meio de ameaças, e que não comunica através de fugas".

Christine Lagarde reafirma, também, a posição essencial do FMI: “Tal como discutimos várias vezes, inclusive recentemente ao telefone, tenho consistentemente sublinhado que, se for necessário baixar as metas orçamentais, para que sejam realisticamente atingidas, haverá necessidade de obter mais alívio de dívida”.

  • WikiLeaks divulgou o conteúdo de uma conversa entre Poul Thomsen e Delia Velculescu do FMI em que se antecipa a possibilidade do Fundo sair das negociações do terceiro resgate a Atenas se a Alemanha persistir em recusar o “alívio” da dívida grega. O momento de crise pode coincidir com o processo de referendo britânico em junho. Teremos o regresso de um "verão quente"

  • O primeiro-ministro grego vai escrever à diretora do FMI pedindo esclarecimentos sobre uma alegada teleconferência entre altos quadros do Fundo a respeito da estratégia da organização de Washington para o exame em curso que foi divulgada este sábado pelo WikiLeaks