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PSD foi o partido com mais crédito

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Marcos Borga

Partido de Passos Coelho teve financiamento de €1,6 milhões num total de €1,8 milhões a partidos. Fundação Social Democrata recebeu €8,5 milhões

Num montante de crédito concedido que ascendia a €7,3 mil milhões, olhar para uma pequena verba de dois milhões pode parecer um pormenor. Mas não é se este valor disser respeito a financiamento de partidos. No final do primeiro semestre do ano passado, de acordo com os dados da lista a que o Expresso teve acesso, havia empréstimos a partidos políticos num total de €1,8 milhões, dos quais a grande maioria (€1,6 milhões) para o Partido Social Democrata. Eram três empréstimos de, respetivamente, €964 mil, €382 mil e €213 mil concedidos entre 2014 e 2015.

O PSD apresenta outros números. O partido indicou ao Expresso que a comissão política regional da Madeira tinha em junho de 2015 dois créditos com o Banif, um de €2,3 milhões e outro de €0,9 milhões.

O Partido Socialista tinha, na mesma data, cinco créditos de €229 mil com datas de celebração entre 2008 e 2013. Já o Partido Popular tinha três empréstimos — um de 1993 e dois de 2015 — num total de €45,7 mil.

Entre os empréstimos a partidos, apenas um — do PS no total de €27,8 mil — tinha (a 30 de junho de 2015) atrasos no pagamento que somavam €823 entre amortização de capital (a maior parte) e juros. Ao Expresso, Luís Patrão, do PS, confirmou o valor total da dívida em junho de 2015 e garantiu que este contrato com atrasos no pagamento é um leasing cujas rendas estão em dia neste momento.

Dinheiro para a fundação

Além do dinheiro emprestado aos partidos políticos, a grande maioria nas dependências dos Açores e Madeira, onde o banco tem grande implantação, houve também financiamentos à Fundação Social Democrata da Madeira (FSDM) que somavam, à data de 30 de junho de 2015, €8,5 milhões. Este total estava repartido por seis contratos de financiamento cuja maior fatia do montante foi celebrada entre 2012 e 2015. Existia apenas um financiamento anterior — de 2003 —que se ficava por €38 mil.

O financiamento do Banif à FSDM foi um dos temas que o deputado comunista Miguel Tiago levantou na audição parlamentar da passada terça-feira a Joaquim Marques dos Santos (presidente do Banif até 2012). Miguel Tiago confrontou o antigo gestor com possíveis abatimentos de crédito à fundação, o que apanhou Marques dos Santos de surpresa. “Abateu-se crédito à Fundação Social Democrata?”, perguntou o antigo presidente do Banif. Miguel Tiago notou que após 2012 houve crédito em atraso e abatido ao ativo. “O senhor deputado está a dar-me uma surpresa”, insistiu Marques dos Santos, apenas dizendo que “os créditos dados à FSDM, passados pelos crivos habituais, estavam suficientemente garantidos”.

Os dados que o Expresso consultou sobre a FSDM, presidida por Alberto João Jardim, indicam que de setembro a dezembro de 2015 a entidade foi alvo de cinco ações judiciais, cujo valor somado ronda €48 mil, vindo o maior processo de uma sociedade de advogados. Não há registo de nenhuma ação movida por um banco.