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As sete economias mais vulneráveis a uma nova crise

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O economista Steve Keen aponta a China, Austrália, Suécia, Hong Kong, Coreia do Sul, Canadá e Noruega como registando os mais altos níveis de dívida privada no PIB e as dinâmicas mais altas de crescimento desse rácio recentemente

Jorge Nascimento Rodrigues

Surpreendentemente, não há nenhuma da zona euro, nem mesmo dos periféricos do euro, entre as economias com maior vulnerabilidade a uma nova crise nos próximos três anos gerada por um alto nível de endividamento em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) por parte do seu sector privado não financeiro (empresas e famílias). As mais expostas a um risco desse tipo são sete – China (a segunda maior economia do mundo), Austrália, Suécia, Hong Kong, Coreia do Sul, Canadá e Noruega, segundo a ordem de “severidade” que uma tal crise poderá vir a ter.

Este “clube” de risco deriva de um estudo do economista australiano radicado em Londres Steve Keen divulgado este domingo no blogue Real World Economics Review. Keen é diretor da Escola de Economia, História e Política da Universidade de Kingston em Londres e mantém um site de acompanhamento da dívida, o Debt Watch.

Keen recorre aos critérios definidos por Richard Vague no seu livro “The Next Economic Disaster”, publicado em 2014, em que o disparo dos níveis da dívida privada no PIB e o seu ritmo de crescimento são consideradas as causas geradoras de crises económicas e financeiras agudas. Vague aponta dois critérios que sinalizam o risco de uma crise: um nível de dívida no PIB do sector privado não financeiro superior a 150% e um ritmo de crescimento de 20 pontos percentuais desse rácio nos últimos cinco anos.

O economista australiano optou por considerar como limiar os 175% do PIB e uma dinâmica de crescimento do rácio de 10% em 2015 e socorreu-se dos dados mais recentes relativos ao terceiro trimestre de 2015 publicados no boletim estatístico do Banco de Pagamentos Internacionais (BIS, no acrónimo em inglês) saído em março.

Segundo os dados do BIS para o terceiro trimestre do ano passado, havia 21 países com um rácio de dívida privada (excluindo sector financeiro) no PIB superior a 150% e 16 com o rácio superior a 175%. Neste último caso incluem-se três periféricos do euro: Espanha, Irlanda e Portugal. No caso do tigre celta, o rácio superava 250%; no caso português atingiu quase 200%; e no caso espanhol registava 175,9%.

Cruzando um limiar superior a 175% com um ritmo de crescimento do rácio superior a 10% em 2015, Keen chega ao “clube” de sete referido acima. No caso da Austrália, ele já previu que a recessão assole o continente dos cangurus em 2017. Quatro das economias em risco situam-se na Ásia Pacífico, duas são escandinavas e uma está no continente norte-americano.