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60 fundos querem informação sobre Novo Banco

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Eduardo Stock da Cunha integra a equipa que está a contactar potenciais compradores do Novo Banco

Nuno Botelho

Banco de Portugal admite oficialmente que pode haver venda direta ou através da Bolsa

Os contactos com fundos de investimento em Nova Iorque e Londres para a venda do Novo Banco vão começar na segunda semana de abril. O que representa uma alteração à estratégia inicialmente definida. A equipa de assessores do Banco de Portugal (BdP) liderada por Sérgio Monteiro decidiu começar por contactar os chamados investidores estratégicos – bancos e seguradoras – por ter recebido pedidos de informação de mais fundos do que estava previsto e ter agora de arranjar mais tempo para falar com todos. De um lote de 35, passaram para mais de 60.

O BdP anunciou entretanto, oficialmente, que flexibilizou o modelo de venda e decidiu jogar em dois tabuleiros: venda direta a investidores estratégicos ou em Bolsa a institucionais, para tornar mais competitivo o processo de venda e maximizar o encaixe. O que, segundo fonte do supervisor, será consignado para reduzir a dívida pública.

Se o número de fundos é superior ao esperado, o de investidores estratégicos contam-se pelos dedos de uma mão. A Comissão Europeia terá exigido que entre os interessados não constem investidores com origem em países considerados de alto risco ou não cooperantes no combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo, entre outros requisitos que limitam a candidatura de potenciais interessados. De fora ficam, também, todos os que tenham processos pendentes e “qualquer litígio administrativo ou judicial contra a aplicação da medida de resolução ao BES, a constituição do Novo Banco, a transmissão de ativos, passivos, elementos extrapatrimoniais e ativos sob gestão transferidos do BES para o Novo Banco ou quaisquer outras decisões do Banco de Portugal relativamente ao Novo Banco”, lê-se no comunicado do BdP sobre os critérios de seleção dos fundos de investimento.

O sistema financeiro português foi chamado a pagar o capital injetado no Novo Banco, através das contribuições para o Fundo de Resolução, e aguarda uma rápida solução para o banco. No antigo BES foram injetados €4,9 mil milhões em agosto de 2014, com as maiores contribuições a virem da CGD e do BCP. O Expresso sabe que este banco está particularmente atento ao processo, até porque tem ainda para pagar €750 milhões de obrigações convertíveis em capital (CoCos).

Depois de os bancos terem sido chamados a pagar também para a resolução do Banif e de este banco ter sido vendido por €150 milhões ao Santander Totta, livre dos ativos tóxicos, não querem que a história se repita, ou seja, que o Novo Banco seja vendido por um baixo preço a outro banco estrangeiro.

Os favoritos espanhóis e americanos

Neste processo de venda já foram contactadas instituições de crédito e empresas de seguros que detenham diretamente ou sob gestão participações acionistas qualificadas em instituições de crédito ou em empresas de seguros, por parte dos assessores do Banco de Portugal e do Novo Banco. Entre estes estão os espanhóis La Caixa (maior acionista do BPI), o Santander Totta que comprou em dezembro o Banif por €150 milhões e o fundo de private equity norte-americano Apollo que em Portugal já tem a Tranquilidade e acaba de finalizar a compra da Açoreana, do grupo Banif. No concurso anterior que fracassou, a Apollo foi um dos três finalistas à compra do Novo Banco. O BCP poderia ser outro dos candidatos mas as probabilidades são baixas, até porque entre as suas prioridades está o pagamento dos CoCos e para avançar teria de obter autorização da Direção Geral de Concorrência da União Europeia (DGCom).

A estratégia inicialmente delineada previa abordar numa primeira fase os fundos de investimento internacionais mas houve uma inversão do plano. Isto porque o número de fundos sinalizados pelos assessores do BdP aumentou de 35 para mais de 60 investidores institucionais que querem ser visitados para saber o que vai estar à venda, quais os impactos da reestruturação que está em curso e o que pode ser vendido separadamente. Um dos requisitos de seleção relativo aos fundos passa por estes terem “capacidade financeira para adquirir no âmbito de uma oferta pública de distribuição das ações do Novo Banco um número de ações representativo em relação ao número total de ações objeto da oferta”.

O BdP reserva-se para só “em momento futuro” escolher o modelo de venda. Ou seja, para já está apenas a medir a temperatura dos investidores e consoante o interesse e as propostas, ainda que informais, avançar para o modelo definitivo. O que deverá acontecer em maio.

Embora já tenha começado a falar com investidores estratégicos, só esta quinta-feira tornou públicos os critérios de elegibilidade e seleção dos eventuais candidatos à compra do Novo Banco.

Da parte do BdP, o processo de venda está a ser liderado no terreno por Sérgio Monteiro, ex-secretário de Estado dos Transportes do Governo de Pedro Passos Coelho, e mais recentemente pelo Deutsche Bank em Londres. Do lado do Novo Banco estão o seu presidente, Eduardo Stock da Cunha, e o JP Morgan que juntamente com outros assessores irão integrar a expressiva comitiva de visitas a fundos de investimento.

O BdP quer tornar o processo competitivo e minorar perdas. Mas para isso os potenciais compradores terão de fazer fé na execução de um plano de reestruturação que ainda está em marcha. A tarefa continua a não ser fácil.