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200 construtoras em agonia

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Flavio Morais/Re-searcher.com

Dos 200 empreiteiros em processo de recuperação serão poucos os que sobreviverão. Ramos Catarino pode tornar-se a quinta operação do fundo Vallis

Entre os atributos comuns às construtoras Ramos Catarino (Cantanhede), J.Gomes — Construções do Cávado (Braga) ou Obrecol (Lisboa) estão a sua dimensão média e pertencerem ao universo de 200 (15% do total) que esbracejam para sobreviver, no âmbito de processos especiais de revitalização (PER) aprovados pelos credores, de acordo com dados do ministério da Justiça trabalhados pela Informa DB. Todas reduziram drasticamente a atividade e passaram de um histórico de receitas acima dos €50 milhões para cifras abaixo de €15 milhões, em 2014.


Numa indústria que nos últimos sete anos perdeu metade da produção e, após a aterragem violenta em 2011, reduziu de 10% para 6,5% o peso nos principais indicadores da economia portuguesa, é a banca quem tem a faca e o destino de cada caso na mão. Com a adesão ao PER, a construtora transfere-se “para os cuidados intensivos, definha em vez de reanimar e, no atual ambiente de anemia serão raros os casos que terão um final feliz”, adverte ao Expresso um diretor bancário que lida com o sector. O gestor reconhece que algumas delas “estão ligadas à máquina” e, por vezes, “os planos de negócios aprovados são irrealistas”. O PER torna-se um expediente “para se ganhar tempo, à espera que um milagre aconteça”.


A Ramos Catarino acredita na salvação. Está em negociações com o fundo Vallis Construction e poderá tornar-se a quinta construtora a ser absorvida pelo conglomerado Elevo, mantendo, todavia, a marca autónoma. Vítor Catarino, administrador do grupo, evita o assunto Vallis, dizendo apenas que “a abertura ou reforço de capital é um dos pontos essenciais do plano estratégico”. A construtora lançará mão de “todas as ferramentas que permitam reforçar a robustez financeira e capacidade operacional”. A execução do PER “revela-se, segundo os próprios bancos, um caso de estudo e um instrumento precioso na recuperação da empresa”, acrescenta Vítor Catarino.


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