Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Única agência que mantém Portugal fora de “lixo” admite cortar rating

  • 333

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou, num relatório divulgado esta sexta-feira, que a revisão em baixa da única nota de investimento atribuída em Portugal “constitui um risco no curto prazo” com “grandes consequências” para Portugal

A agência de notação financeira canadiana DBRS, a única que atribui uma nota de investimento a Portugal (isto é, que não colocou o país ao nível de “lixo”), admitiu esta sexta-feira cortar o ‘rating’ se houver incerteza política ou se o crescimento económico não for suficiente para reduzir a dívida pública.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou, num relatório divulgado esta sexta-feira, que a revisão em baixa da única nota de investimento atribuída em Portugal “constitui um risco no curto prazo” com “grandes consequências” para Portugal.

Questionada pela agência Lusa, Adriana Alvarado, analista para Portugal da DBRS, afirmou que “de facto, o ‘rating’ pode ser pressionado num sentido negativo” na próxima avaliação à dívida portuguesa.

Em causa para esse corte está um eventual “enfraquecimento do compromisso político perante políticas económicas sustentáveis”, a reversão das reformas estruturais ou caso a “incerteza política se torne persistente”.

Um crescimento económico mais fraco do que o esperado e que leve a uma deterioração da dinâmica da dívida pública também pode levar a uma revisão em baixa da nota atribuída pela DBRS a Portugal.

No comentário enviado à Lusa, Adriana Alvarado lembra que a DBRS manteve a perspetiva estável da nota atribuída a Portugal em novembro, considerando que os riscos para esse ‘rating’ permanecem “largamente balanceados”, mas que “também foram sublinhados os riscos de derrapagem [orçamental] e outros desafios para as finanças públicas, nomeadamente em relação ao ainda alto nível de dívida pública”.

Na altura, a DBRS afirmou estar “confortável” com o ‘rating’ atribuído a Portugal, que considera ser “apropriado”, alertando, no entanto, que esta avaliação depende do desempenho orçamental, do crescimento e do sucesso da política monetária do Banco Central Europeu.

É que o programa de compra de dívida pública pelo Banco Central Europeu (BCE) e o uso de dívida soberana como colateral no financiamento europeu aos bancos portugueses exigem que pelo menos uma das maiores agências de ‘rating’ atribua a Portugal uma notação de investimento.

Neste momento apenas a DBRS avalia a dívida de Portugal como sendo de investimento, de BBB (‘low’), enquanto as três maiores entidades de ‘rating’ consideram que a dívida pública de Portugal ainda está num grau de ‘lixo’.

A DBRS vai voltar a avaliar a dívida pública portuguesa a 29 de abril.