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Juros da dívida estabilizaram abaixo de 3% em março

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Os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos fecharam na quinta-feira em 2,94% e o prémio de risco da dívida portuguesa diminuiu em março. Mas a rentabilidade anual negativa das obrigações portuguesas agravou-se. Itália e Grécia registaram os melhores desempenhos em março

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields no prazo de referência, a 10 anos, e o prémio de risco das dívidas dos cinco periféricos da zona euro desceram em março. As maiores quedas registaram-se nos casos da Grécia e Itália.

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) a 10 anos fecharam o mês de março no mercado secundário em 2,943%, cerca de cinco pontos base abaixo do valor de encerramento em fevereiro, quando registaram 2,989%. O prémio de risco da dívida portuguesa diminuiu nove pontos base em março fechando em 279 pontos, um diferencial de 2,79 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã a 10 anos que serve de referencia na zona euro.

Depois de valores de fecho acima de 3% a 8, 9 e 10 de março, as yields das OT a 10 anos desceram para valores inferiores desde 11 de março.

Grécia e Itália estiveram em destaque em março. As yields das obrigações gregas a 10 anos desceram abaixo de 9%, fechando em 8,77%, um recuo de 175 pontos base (1,75 pontos percentuais) em relação ao final de fevereiro. O prémio de risco da dívida grega desceu do patamar dos 1000 pontos base no final de fevereiro para 862 no fecho de março.

No caso de Itália, as yields das obrigações italianas a 10 anos desceram 19 pontos base e o prémio de risco reduziu-se em 23 pontos base. Comparativamente, o prémio de risco desceu 12 pontos base para Espanha, 11 pontos base para a Irlanda e nove pontos base para Portugal.

Apesar da descida das yields e do prémio de risco da dívida portuguesa, a rentabilidade anual das obrigações (em todos os prazos) continua em terreno negativo e inclusive agravou-se. No final de fevereiro, o retorno nas últimas 52 semanas para a dívida obrigacionista portuguesa (para 15 linhas de OT) era de -3,62% e no final de março desceu para -4,13%, segundo dados do índice da Bloomberg. É o único caso de rentabilidade anual negativa nos periféricos do euro.

A rentabilidade média anual da dívida obrigacionista de toda a zona euro desceu de 1,36% no final de fevereiro para 0,79% no final de março. No período de um mês, o retorno anual melhorou ligeiramente para Itália, que subiu de 1,61% para 1,78%, e significativamente para a Grécia, com uma subida de 5,45% para 33,91%.

A política expansionista do Banco Central Europeu continua a ser o elemento decisivo no recuo dos juros e do prémio de risco nos periféricos do euro.

Juros negativos em 11 dos 19 da zona euro

A zona euro continua a registar níveis de yields no mercado secundário historicamente baixos e 11 em 19 dos membros da moeda única apresentavam no final de março yields negativas em dívida obrigacionista de 12 meses ou mais. A liderar este “clube” na zona euro, a Alemanha e a Holanda que registavam no final de março yields negativas até ao prazo de 8 anos inclusive. Nos cinco periféricos do euro, apenas Portugal e Grécia (que está excluída do programa do BCE de compra de dívida soberana no mercado secundário em vigor desde março de 2015) não registavam yields negativas. Nas economias emergentes do leste europeu membros do euro, Eslováquia e Eslovénia registavam yields negativas em dívida obrigacionista.

Na União Europeia, Suécia e Dinamarca também registam yields negativas até ao prazo de 5 anos inclusive. Os líderes mundiais do clube das yields negativas são a Suíça (até ao prazo de 15 anos inclusive) e o Japão (até 10 anos inclusive).

Yields negativas significam que os investidores se dispõem a “pagar” aos estados emissores para deterem obrigações soberanas em carteira, em vez de receberem um juro.