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Dívida da Ongoing supera 1,2 mil milhões de euros

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Nuno Vasconcellos lidera a Ongoing

Nuno Botelho

Lista provisória de credores revela que o grupo de Nuno Vasconcellos deve mais de 972 milhões de euros só à banca. Novo Banco (493,5 milhões) e BCP (282,2 milhões) são os principais credores no PER da Ongoing Strategy Investments. Total de créditos reclamados supera os 1,2 mil milhões de euros

O número é impressionante: €1.284.800.209,18. Arredondemos, para facilitar a leitura: 1,284 mil milhões de euros. Mais 800 mil euros e uns trocos. É este o valor provisório das dívidas reclamadas pelos credores da Ongoing Strategy Investments, a holding da Ongoing que agregava os investimentos do grupo de Nuno Vasconcellos em sectores como as telecomunicações, media e tecnologia, serviços financeiros ou imobiliário e que avançou no início de março com um Pedido Especial de Revitalização (PER).

A lista de credores coligida pelo administrador judicial Fernando Silva e Sousa, nomeado no âmbito desse PER, reúne 62 empresas e pessoas em nome individual. E contempla desde dívidas de 72 euros a uma florista e de 126 euros a uma papelaria, até dívidas de largos milhares de euros à Autoridade Tributária, empresas de informática, escritórios de advogados, consultoras, agências de viagens ou operadoras de telecomunicações.

Mas é na banca que se concentra o grosso dos montantes reclamados pelos credores ao abrigo deste PER: contas feitas, são mais de €972 milhões de dívidas a entidades financeiras com quem a Ongoing estabeleceu relações contratuais nos últimos anos.

De acordo com a lista publicada esta quinta-feira no portal Citius, o principal credor da Ongoing é o Novo Banco, que herdou do antigo BES créditos na ordem dos €493,5 milhões, resultantes de financiamentos, investimentos em papel comercial da Ongoing, linhas de crédito ou operações cambiais. Ao todo, os vários créditos reclamados pelo Novo Banco representam mais de 43% das dívidas totais da Ongoing.

Segue-se na lista o BCP, que reclama uma dívida de €282,2 milhões suscitada por financiamentos assegurados pelo banco e que deixaram de ser pagos. A terceira entidade financeira com maior crédito sobre a Ongoing Strategy Investments é o Haitong Bank, ex-BESI, que reclama uma dívida de €182,3 milhões, resultante de investimentos em papel comercial da Ongoing.

Na rol de bancos credores da empresa consta ainda o Montepio, que reclama uma dívida de mais de €15 milhões, igualmente com origem, quase na sua totalidade, em investimentos em papel comercial do grupo liderado por Nuno Vasconcellos.

Na lista elaborada pelo administrador judicial constam ainda várias empresas do universo Ongoing com créditos sobre a ‘casa mãe’. Entre estas, a que tem o maior crédito é a Insight Strategic Investments SGPS, na ordem dos €98,9 milhões. Uma dívida que esteve, aliás, entre os motivos que levaram a Insight Strategic a avançar também no início de março com um pedido de PER.

Outra empresa do universo Ongoing que avançou este mês com um pedido de PER foi a editora S.T. & S.F., através da qual o grupo explorava o “Diário Económico”. Dias depois de ter dado entrada com esse pedido no tribunal, a administração da S.T. & S.F. solicitou, no entanto, a substituição desse PER por um pedido de insolvência da empresa, por entender que esse era o “o quadro legal que melhor protege os interesses dos trabalhadores”, que acumulam já vários meses de ordenados em atraso.

O pedido de insolvência foi comunicado aos trabalhadores do “Diário Económico” a 18 de março, no dia em que o título fez chegar às bancas a sua última edição em papel. Desde então, a marca mantém-se apenas ativa com a edição online e o canal ETV.