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Bolsas mundiais ganharam em março mais de 7%

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Foi o primeiro mês do ano com ganhos, depois do afundamento em janeiro com uma derrocada global de 6%. O melhor desempenho em março registou-se nos mercados emergentes, com Moscovo, São Paulo e Istambul a liderarem principais praças. Bolsas europeias ganharam 6% e PSI 20 em Lisboa subiu 3,6%

Jorge Nascimento Rodrigues

Apesar da última sessão de março ter fechado com as bolsas mundiais a perderem 0,22%, devido ao encerramento no vermelho das bolsas europeias e de Nova Iorque na quinta-feira, o mês saldou-se por ganhos.

As bolsas mundiais subiram 7,16%, o primeiro mês do ano com ganhos, depois de um afundamento em janeiro, quando caíram 6,1%, e de um ligeiro recuo em fevereiro, quando perderam 0,89%, segundo o índice MSCI mundial. Apesar dos ganhos em março, o ano ainda está no vermelho, com o índice mundial a registar uma perda de 0,28% para o primeiro trimestre.

A Europa não foi a região com melhor desempenho em março, mas o índice MSCI respetivo subiu quase 6%, depois de ter perdido quase 8,8% nos dois meses anteriores. No primeiro trimestre do ano é o índice regional com pior desempenho, acumulando uma perda de 3,2%. Na bolsa de Lisboa, o índice PSI 20 registou uma subida de 3,63%, mas, desde o início do ano, ainda acumula perdas de 5,5%.

O melhor desempenho em março registou-se nos mercados emergentes, cujo índice MSCI subiu 13%, com destaque para os índices RTSI de Moscovo, Ibovespa de São Paulo (apesar da crise política) e BIST 100 de Istambul. Em virtude de uma subida de dois dígitos em março, o índice MSCI para os emergentes registou um ganho de 5,4% no primeiro trimestre.

A praça financeira de Nova Iorque, com as duas bolsas mais importantes do mundo, registou em março um ganho de 6,7%, superior ao europeu, e já se encontra em terreno positivo desde o início do ano, com uma subida ligeira de 0,39%. A região da Ásia Pacífico registou em março um ganho de 8,2%, mas fechou o trimestre no vermelho.

No mercado petrolífero, o preço do barril de Brent subiu 11,6% desde final de fevereiro, fechando em 40,16 dólares. Desde o mínimo de 27,10 dólares registado em 20 de janeiro, o preço do Brent já subiu 48,2%. O barril da variedade europeia atingiu um máximo durante a sessão de 18 de março, subindo até 42,54 dólares. A subida do preço do Brent tem sido alimentada pelas expetativas em torno de uma decisão de “congelamento” dos níveis de produção que possam vir a ser tomadas em Doha a 17 de abril numa cimeira entre o cartel da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e não membros, como a Rússia.

Depois da derrocada bolsista mundial em janeiro, particularmente aguda na região da Ásia Pacífico, o clima nas praças financeiras melhorou progressivamente influenciado pela subida dos preços do petróleo (57% entre o mínimo do ciclo descendente a 20 de janeiro e o máximo do ano, até à data, a 18 de março) e pela expetativa crescente de um adiamento de uma nova decisão de subida das taxas de juro pela Reserva Federal norte-americana (Fed). Em virtude das mais recentes declarações da presidente da Fed, sublinhando uma estratégia de “cautela”, uma probabilidade superior a 50% para um novo aumento das taxas de juro deslocou-se para a reunião de 21 de dezembro, segundo o mercado de futuros das taxas de juro da Fed, acompanhado pela CME.

Recorde-se, ainda, que os mercados financeiros europeus têm sido beneficiados pela expetativa positiva em torno da política monetária expansionista do Banco Central Europeu. Na sua última reunião, a 10 de março, a equipa liderada por Mario Draghi optou por uma ampliação da intervenção já a partir de 1 de abril e, no caso do novo programa de compras de obrigações de empresas da zona euro, a partir do final do segundo trimestre. A inflação na zona euro manteve-se, contudo, em terreno negativo em fevereiro (-0,2%) e em março (-0,1%).