Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Transportadores. “Só nos ouvem se paralisarmos o país”

  • 333

Márcio Lopes, responsável pela Associação Nacional de Transportadores Portugueses (ANTP) diz que a reunião com o ministro-adjunto, Eduardo Cabrita, “não resolveu nada que permita anular o acréscimo de 30 cêntimos pago em Portugal para abastecer gasóleo”. Por isso, diz que “a ANTP não assinará memorandos”

"A reunião que ontem, quarta-feira, 30 de março, tivemos com o Governo não resolveu nada, porque adiou decisões para uma nova próxima reunião, a 18 de abril, quando o nosso problema é o dia-a-dia, em que enfrentamos a concorrência imediata de empresas que abastecem gasóleo em Espanha, pagando menos 30 cêntimos por litro", afirma o responsável da Associação Nacional de Transportadores Portugueses (ANTP), Márcio Lopes. Por isso, garante que, "pela parte que me toca, como representante da ANTP, não vou assinar memorandos porque já percebi que este Governo vai manter o agravamento do Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP)". "Disse aos meus associados para não realizarem a marcha lenta de camiões que estava convocada, mas infelizmente noto que só nos ouvem se paralisarmos o país", diz Márcio Lopes.

Na reunião mantida com o Governo, presidida pelo ministro Adjunto, Eduardo Cabrita, "a ANTP acreditou que o Governo ia avançar com uma solução que resolvesse o problema sentido por milhares de pequenos camionistas, que enfrentam a concorrência das empresas que abastecem em Espanha e que, por isso, ganham capacidade para negociar preços inferiores, mas a realidade prova que nada mudou no ISP que pagamos", diz.

"Quando pretendem explicar no Parlamento que há razões orçamentais para manter o ISP tão elevado, pergunto-me porque razão decidiram aumentar o ISP a 11 de fevereiro e o agravamento de preços passou a ser aplicado no dia seguinte, a 12 de fevereiro, quando o Orçamento de Estado só foi definitivamente aprovado no final de março", refere Márcio Lopes, comentando que "há apenas uma intenção óbvia de cobrar mais impostos e isso nem sequer aguardou pela aprovação do Orçamento de Estado".

Márcio Lopes acredita que haverá duas consequências práticas desta realidade que "o Governo vai ter em conta: uma é quando começar a aumentar o número de falências de pequenas empresas de transporte rodoviário que não vão aguentar as margens tão esmagadas, sem rentabilidade, que estão a ser praticadas no mercado, e outra é quando o descontentamento existente no sector for manifestado publicamente com uma paragem do país".

"Somos nós que movimentamos as mercadorias em Portugal e levamos as exportações para fora do país, mas niguém nos ouve, e a verdade é que vivemos com um enorme descontentamento porque é impossivel continuar a trabalhar assim", diz, garantindo que "há muitos camionistas que, no fim do dia, têm de pagar, do seu bolso, o gasóleo para conseguirem regressar a casa, e no setor todos sabemos o que isto significa".