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Santander quis comprar "Banif bom" em junho de 2015, diz Varela

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O espanhol Santander mostrou interesse junto do Banco de Portugal em comprar os ativos bons do Banif em junho de 2015, confirmou António Varela. Banco Popular já tinha manifestado interesse. Varela admite que os critérios impostos por Buxelas eram à medida do Santander. "Se fosse jurista diria que foi dado um auxílio monstruoso a um banco"

António Varela confirmou na comissão parlamentar de inquérito que em junho de 2015, enquanto estava no Banco de Portugal, foi contactado por responsáveis do banco espanhol Santander para lhe manifestarem interesse no Banif. "Santander tinha informação que o banco estava à venda e vinham manifestar interesse em comprar as partes boas do Banif", afirmou. E prossegui: "Vieram a comprar meses mais tarde". Na verdade depois do Banif, Santander ficou com os ativos bons do Banif, por 150 milhões de euros.

O antigo administrador do Banco de Portugal adiantou que deu os contactos que tinha e remeteu os responsáveis do Santander para o Ministério das Finanças, e afirmou que o governador teve conhecimento do interesse do banco de Emílio Botin.

António Varela contou aos deputados que recebeu igualmente uma manifestação de interesse do também espanhol Banco Popular, "um par de meses antes" do contacto do Santander. Nesse contacto, desta vez telefónico, foi manifestado o interesse no Banif. O antigo administrador do Banco de Portugal remeteu-os para o Ministério das Finanças.

Varela admite que não tenha havido negociações porque nessa altura estavam a ser estudadas outras soluções para o Banif, e não fazia sentido estava a pensar vender a alguém que só tinha interesse nos ativos bons. Mais tade, acabou por ser mesmo o Santander a comprar, e tal como queria apenas o negócio saudável do Banif.

O ex-administrador do Banco de Portugal reconhece que os critérios impostos pelo BCE para o comprador do Banif limitavam bastante a escolha, "o que levou a que na prática fosse uma coisa feita à medida do comprador encontrado", ou seja, o Santander. Podia ser também o Banco Popular, mas este banco acabou por não apresentar qualquer proposta vinculativa.

"Se eu fosse jurista diria que foi dado um auxílio mostruoso a um banco, mas eu não sou jurista", disse aos deputados. E admitiu o Santader fez "um excelente negócio". "É o que lhe compete. Tenho muito pena que o tenha feito à custa dos contribuintes portugueses, onde eu me incluo".