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Moreira da Silva acusa Governo de “revanchismo e preconceito” no sector da água

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ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Ex-ministro do Ambiente diz ser “lamentável” a reversão da reforma do sector da água decidida pelo Governo PS, alertando que a decisão criará um buraco financeiro a ser pago no futuro pelos consumidores ou pelos contribuintes

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

O ex-ministro do Ambiente e presidente da Plataforma para o Crescimento Sustentável, Jorge Moreira da Silva, acusa o Governo de“revanchismo“ e “preconceito” na sua decisão de reverter o processo de reestruturação que o anterior Executivo levou a cabo no sector da água.

Num comentário na sua página de Facebook a propósito da demissão apresentada quarta-feira por Afonso Lobato de Faria do cargo de presidente da Águas de Portugal (AdP), Moreira da Silva é cáustico em relação à estratégia do novo Governo.

“Nada justifica, excepto o revanchismo e o preconceito, a reversão e a destruição de uma reforma, longamente pensada, estudada e discutida, que enfrentou problemas identificados há 20 anos, como as perdas de água (40% em média), as disparidades tarifárias entre interior e litoral (2 a 3 vezes mais altas no interior), a dívida dos municípios (na ordem dos 500 milhões) e a insustentabilidade económico-financeira do setor das águas (que ainda precisa de 3700 milhões de euros de investimento)”, afirma o ex-ministro do Ambiente.

Jorge Moreira da Silva insiste que a reestruturação empreendida pelo Governo PSD/CDS foi bem sucedida. “A nossa reforma foi bem sucedida, como atestam todos os relatórios internacionais. A reforma foi largamente apoiada e teve a oposição de apenas 29 dos 200 municípios envolvidos (governar é reformar e nunca se pode reformar agradando a todos quando estão em causa desigualdades territoriais)”, escreve o ex-ministro.

“A reforma envolveu uma grande reorganização interna do Grupo Águas de Portugal, reduzindo em 70% os lugares de administradores e em 55% os orgãos de chefia”, lembra Moreira da Silva.

“De uma penada, sem estudos e sem diálogo, o governo anunciou, na passada semana, de forma quase clandestina, com base numa apresentação power point (cuja consulta e leitura aconselho a partir do portal do governo), a reversão de uma reforma (que já tardava há 20 anos)”, sublinha ainda o ex-ministro.

De acordo com Moreira da Silva esta decisão do novo Governo irá gerar “um buraco financeiro que acabará por ser pago ou com mais tarifas ou com mais défice tarifário ou com mais impostos”.

"Lamentável. De pouco vale falar de um Plano Nacional de Reformas se, o que verdadeiramente orienta o atual governo, é um Plano Nacional de Reversões", conclui o também vice-presidente do PSD.