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Luís Amado foi convidado para a CGD e não aceitou - optou pelo Banif

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José Carlos Carvalho

Luís Amado, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros do PS, diz que foi convidado para a presidência do conselho de administração do Banif pelos acionistas, e decidiu aceitar porque era um banco privado

Luís Amado é a terceira pessoa a ser ouvida no âmbito da comissão parlamentar de inquérito ao Banif, iniciada na terça-feira. O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros do PS e ex-presidente do conselho de administração do banco fundado por Horácio Roque disse aos deputados lamentar o destino de insolvência do Banif, sublinhando que o esforço de reestruturação acabou por revelar-se em vão. "Lamento o desfecho que o banco teve, tive a sensação de morrer na praia", frisou. Disse no entanto ao longo da audição que "sai de cara levantada" deste processo.

"O banco não implodiu por dentro, e houve divergências. Houve uma linha de solidariedade permanente entre a comissão executiva e o conselho de administração", afirmou o ex-ministro em resposta às perguntas da deputada do Bloco De Esquerda, Mariana Mortágua. Admitiu que quando entrou no banco não sabia que o banco precisava de capital e reconheceu que ficou surpreendido. "Quando fui convidado para o banco foi-me dito que o banco nem precisava de capital", afirmou.

Luís Amado assumiu o cargo de presidente não executivo em março de 2012. Alguns meses depois o cenário alterou-se e ficou claro que o banco ia precisar de uma injeção de capital."A surpresa foi maior à medida que percebia que o nível de capital necessário era muito mais exigente do que aquilo que inicialmente pensava", admite. No início de 2013, Luís Amado viu o Estado injetar 1.100 milhões de euros no Banif (700 milhões de euros de capital e 400 milhões de euros em obrigações convertíveis). Tinha havido uma degradação dos rácios de capital. E o Estado entra no Banif, onde chegou a deter mais de 99% do capital. "Quando o Estado entrou no banco, meti o meu lugar à disposição do ministro das Finanças e do governador do Banco de Portugal que me pediram para continuar em nome da estabilidade do sistema financeiro", explicou o ex-governante.

"Fui convidado para desempenhar funções no conselho de administração da CGD quando deixei de ter funções governativas e rejeitei porque era uma instituição pública. Aceitei o convite do Banif, porque era uma instituição privada. Senti que tinha condições para isso", afirmou o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros. "O convite foi-me feito pelos acionistas de referência do banco", revelou Luís Amado.

Luís Amado sublinhou ainda que enquanto desempenhou funções políticas nunca teve avenças, nem esteve em qualquer escritório, e quando deixou de ter achou que poderia exercer um cargo numa instituição privada. "Cessei um ciclo de 35 anos de funcionário público, achei que tinha o direito de tentar uma experiência no setor privado. Passados poucos meses confessei ao Dr. Jorge Tomé que 'viemos do Estado e vamos voltar ao Estado'", confessa.