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Cautela da Fed continua a animar bolsas na Ásia e Europa. Japão é a exceção

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As bolsas da Ásia fecharam esta quarta-feira com ganhos, com a China e Hong Kong a liderarem as subidas. Bolsa de Tóquio no vermelho é a exceção. Europa abriu em terreno positivo. Bolsa de Lisboa em linha com trajetória europeia de subidas. BCP e BPI com ganhos

Jorge Nascimento Rodrigues

Esta quarta-feira prossegue nas bolsas mundiais o efeito positivo das declarações da presidente da Reserva Federal norte-americana (Fed) proferidas na terça-feira em Nova Iorque. Janet Yellen reafirmou uma estratégia de “cautela” quanto à decisão de novas subidas das taxas de juro do banco central norte-americano. Segundo o mercado de futuros das taxas de juro da Fed, uma probabilidade de 50% de uma nova subida dos juros só se regista para a reunião de setembro.

Depois de Wall Street ter fechado em alta na terça-feira, as bolsas da Ásia Pacífico encerraram a sessão desta quarta-feira com ganhos, com exceção de Tóquio. O pessimismo dominou a bolsa japonesa em virtude da divulgação oficial de uma quebra significativa da produção industrial em fevereiro e da valorização do iene face ao dólar que prejudica as exportações nipónicas.

As bolsas europeias abriram esta quarta-feira em terreno positivo, com Londres, Paris e Frankfurt a destacarem-se nas principais praças financeiras. O índice Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas da zona euro) está a subir mais de 1%. O índice PSI 20, da Bolsa de Lisboa, depois de uma terça-feira de perdas superiores a 1%, abriu hoje em alta. Os bancos BPI e BCP, que ontem foram fortemente penalizados em bolsa, com quedas das ações superiores a 6%, iniciaram a sessão desta quarta-feira com ganhos.

China e Hong Kong lideram ganhos

Na Ásia Pacífico, o “efeito Yellen” positivo estendeu-se a quase todas as principais bolsas da região, com exceção de Tóquio. Os índices CSI 300 (das trezentas principais cotadas nas duas bolsas chinesas de Xangai e Shenzhen) da China e Hang Seng de Hong Kong fecharam com ganhos superiores a 2%, liderando as subidas na região.

O Japão foi a exceção com os índices Nikkei 225 e TOPIX a caírem 1,3% e 1,6% respetivamente. O pessimismo dominou a sessão em virtude de ter sido divulgada oficialmente uma quebra de 6,2% da produção industrial em fevereiro e da divisa nipónica, o iene, continuar a valorizar-se face ao dólar prejudicando as exportações japonesas. A curva da produção industrial japonesa tem tido desde 2013 um comportamento em ioiô com avanços e contrações. Por exemplo, em dezembro caiu 1,6%, em janeiro aumentou 3,7% e em fevereiro desceu 6,2%.

O preço do barril de petróleo de Brent – a variedade europeia que serve de referência internacional – fechou a sessão asiática desta quarta-feira a subir 0,5% cotando-se em 40,25 dólares. A trajetória de subida prossegue durante a sessão europeia. O preço do Brent subiu 57% entre 20 de janeiro e 18 de março e tem-se mantido acima de 40 dólares desde 16 de março.

Efeito positivo das decisões do BCE

Os mercados financeiros europeus continuam a ser influenciados positivamente pelas decisões de política monetária da mais recente reunião do Banco Central Europeu (BCE) realizada a 10 de março.

Os investidores valorizam a decisão do BCE em aumentar o volume mensal do programa de compra de ativos de 60 para 80 mil milhões de euros já a partir de 1 de abril e manifestam uma expetativa positiva em relação ao novo programa de aquisição de dívida obrigacionista denominada em euros de empresas da zona euro que deverá entrar em vigor no final do segundo trimestre. Este novo programa deverá colocar no radar de compras mensais do BCE mais de 900 mil milhões de euros de dívida obrigacionista empresarial com notação de investimento, segundo a Bloomberg. O maior volume situa-se na Alemanha com mais de 304 mil milhões de euros elegíveis. Relativamente a Portugal, o montante elegível é de 9,9 mil milhões de euros, mais do que na Irlanda, mas menos do que na Finlândia.