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Banco de Portugal revê crescimento em baixa

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Luis Barra

Em vez de crescer 1,7%, o Produto Interno Bruto (PIB) deve ter uma variação de 1,5% em 2016, projeta o Banco de Portugal. A cotação do petróleo deverá aumentar para os 45 dólares em 2017 e 2018. E as exportações de bens e serviços vão desacelerar para 2,2% este ano, quando cresceram 5,1% em 2015, mas nos anos seguintes vão manter um crescimento robusto”

O Banco de Portugal reviu em baixa as projeções para a economia portuguesa, no período de 2016 a 2018, divulgou esta quarta-feira o banco central, explicitando que, para este ano, antecipa "um crescimento de 1,5%, semelhante ao registado em 2015, num quadro de deterioração do enquadramento internacional de desaceleração do investimento empresarial e de resiliência do consumo privado corrente".

Em dezembro de 2015, as projeções do Boletim Económico do Banco de Portugal apontavam para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,7% em 2016 e de 1,8% para 2017. Agora, o Banco de Portugal reviu igualmente em baixa as projeções para 2017, que baixa o crescimento para 1,7% do PIB, considerando que em 2018 o crescimento projetado será de 1,6%.

A instituição refere que as projeções apontam para um crescimento moderado da atividade económica, globalmente em linha com a evolução atualmente projetada para o conjunto da área do euro. O banco central explica que "em 2017 a economia portuguesa deverá acelerar para 1,7%, refletindo o dinamismo do investimento e das exportações". E diz que no biénio de 2016-2017 o "consumo privado estará influenciado pelo conjunto de medidas incluídas no Orçamento de Estado para 2016".

Sobre 2018, é projetado "um abrandamento da atividade para 1,6%, o que traduz a manutenção de constrangimentos estruturais sobre o crescimento potencial da economia portuguesa, com destaque para o elevado endividamento dos sectores privado e público".

No entanto, o banco central admite que "a capacidade de financiamento da economia portuguesa no horizonte de projeção deverá ser superior à observada em 2015" e que haverá uma "redução progressiva dos níveis de endividamento externo". Por outro lado, considera que "os riscos identificados em torno da projeção para a atividade económica e para a inflação são globalmente descendentes".

Para a área euro, o ritmo de recuperação foi revisto em baixa face ao exercício de projeção de dezembro, "essencialmente em resultado de uma avaliação mais negativa do enquadramento externo à área do euro". A procura externa - diz o Banco de Portugal - "deverá manter-se robusta ao longo do horizonte de projeção, estabilizando em torno de um crescimento de 5% em 2017 e 2018".

Face ao Boletim Económico de dezembro, "a procura externa foi revista em baixa em 2016 e ligeiramente revista em alta em 2017".

Petróleo a 45 dólares em 2017 e 2018

Sobre os preços do petróleo, o banco central admite que "em 2016 o preço médio anual do petróleo deverá diminuir acentuadamente face a 2015, situando-se num nível cerca de um terço mais baixo do que o antecipado em dezembro".

Mas para 2017 e 2018 "é esperado um aumento do preço do petróleo que, no entanto, se mantém em níveis substancialmente inferiores aos observados em 2013, situando-se próximo dos 45 dólares no final do horizonte de projeção".

Mesmo assim, o banco central refere que "as revisões em baixa do petróleo em dólares são ligeiramente mais acentuadas em euros, refletindo a hipótese técnica para a respetiva taxa de câmbio".