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Fitch alerta para riscos de rutura na “coligação” se Bruxelas exigir medidas adicionais

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“Embora o Governo [português] tenha concordado em adotar medidas adicionais se for necessário, [...] isto pode ser o ponto de rutura da coligação”, salienta a Fitch numa nota divulgada esta terça-feira

A agência de notação financeira Fitch alertou hoje para os riscos de o Governo socialista de António Costa perder o apoio do PCP e Bloco de Esquerda, caso Bruxelas exija a aplicação de medidas adicionais de redução do défice.

“Embora o Governo tenha concordado em adotar medidas adicionais se for necessário, [...] isto pode ser o ponto de rutura da coligação”, salienta a Fitch, numa nota hoje divulgada.

A Fitch, que baixou a perspetiva da dívida pública portuguesa de positiva para estável, no início do março, mantendo o ‘rating’ em BB+, destaca que a dinâmica orçamental está sujeita a riscos políticos.

“Até agora, o Governo PS tem mostrado vontade de cumprir as regras orçamentais europeias, mas um novo período de incerteza política pode prejudicar a confiança e o crescimento, o que dificultaria a consolidação orçamental e a redução da dívida”, sublinha a agência de ‘rating’.

O OE para 2016, aprovado a 16 de março, fixa o défice em 2,2%, uma meta que “vai ser difícil de atingir, pois depende do crescimento económico e perspetivas de preços que são mais otimistas do que as estimadas por observadores independentes”, existindo igualmente incertezas quanto ao impacto das medidas de aumento dos rendimentos.

Na nota hoje divulgada, a Fitch salienta ainda as dúvidas quanto ao valor do Novo Banco, desconhecendo-se se será vendido como um único banco ou dividido em vários ativos.

A Fitch mantém as perspetivas de crescimento para Portugal em 1,6%, em linha com a média da zona euro, mas assinala algumas alterações nos fatores que deverão influenciar o desempenho económico.

Por um lado, estima um maior contributo do consumo privado, impulsionado por medidas orçamentais que aumentem o rendimento disponível das famílias e pela descida dos preços do petróleo.

Por outro lado, reviu em baixa as previsões de crescimento das exportações e do investimento, devido ao abrandamento do comércio a nível global, no primeiro caso, e à reversão das privatizações no setor dos transportes, no segundo.