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Ex-presidente do Banif ficou surpreendido com a resolução do banco

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José Carlos Carvalho

Joaquim Marques dos Santos é o primeiro a ser ouvido na comisão de inquérito sobre o banco, onde já disse não ter explicação para a diferença entre as necessidades de capital do Banif e o apoio recebido do Estado

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

Joaquim Marques dos Santos, antigo presidente do Banif, afirmou esta terça-feira na comissão parlamentar de inquérito sobre o Banif que a resolução do banco, no final de 2015, o surpreendeu. Lacónico, o antigo gestor, sobre a medida de resolução, disse somente: “Surpreendeu-me”.

Quanto à aprovação de contas de 2011, em que o Banif já reconheceu provisões por imparidades e prejuízos que viriam a precipitar o apoio do Estado, Joaquim Marques dos Santos explicou que o relatório e contas de 2011 foi aprovado já em 2012, por um novo conselho de administração, do qual já não fez parte.

Questionado sobre a diferença entre os 400 milhões de euros de necessidades de capital estimados pelos supervisores e os 1100 milhões que o Estado injetou no Banif, Marques dos Santos respondeu: "Não sei explicar". E reconheceu depois que o montante aplicado no Banif lhe pareceu excessivo.

Na comissão parlamentar, Marques dos Santos sublinhou que na sua gestão “o Banif nunca esteve exposto às dívidas soberanas, mas o rating da República Portuguesa repercutiu-se na banca em geral”.

O antigo administrador disse também, questionado pela deputada Ana Margarida Mano, que desconhece a auditoria forense realizada ao Banif pelo Banco de Portugal nem foi ouvido nessa mesma auditoria.

Na sua audição, Marques dos Santos começou por declarar que saiu do banco a 22 de março de 2012 e não trouxe consigo qualquer documento nem manteve após essa data contactos com os órgãos sociais do Banif.

Joaquim Marques dos Santos foi presidente do Banif entre 2000 e 2012, tendo em 2010 assumido a função de "chairman", após a morte do fundador, Horácio Roque.