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Ex-presidente do Banif admite que houve concessões de crédito que “correram mal”

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José Carlos Carvalho

Joaquim Marques dos Santos reconheceu no Parlamento que o Banif teve de arriscar mais do que outros bancos para poder crescer, o que resultou em imparidades especialmente elevadas

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

Joaquim Marques dos Santos, presidente do Banif até 2012, admitiu esta terça-feira que houve decisões sobre concessão de crédito no banco que “correram mal”, resultando num nível de imparidades superior à média da banca nacional.

“O banco começou a atuar em 1988. Para crescer num ambiente de grande concorrência, provavelmente tivemos de correr mais riscos que outros bancos consagrados no mercado. A aprovação de crédito respeitava um regulamento rigoroso. Feita a análise… houve decisões que correram mal”, declarou o antigo presidente do Banif.

Marques dos Santos respondia a uma questão da deputada Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda, que confrontou o gestor com o facto de em 2011 o Banif ter uma quota de 3,6% na concessão de crédito em Portugal, mas assumir um peso de 8,1% nas imparidades do sistema financeiro.

A deputada do Bloco salientou a este respeito que no Banif "havia deficiências na análise dos colaterais e das carteiras de crédito".

O antigo líder do Banif também foi questionado sobre o negócio de venda à CGD da corretora que o Banif tinha no Brasil. A operação foi feita em duas fases, entre 2010 e 2012, gerando perdas para a Caixa. “A venda foi bastante lucrativa para o Banif e muito prejudicial para a CGD”, comentou Mariana Mortágua, lembrando que um dos intervenientes no negócio foi Jorge Tomé, então presidente do Caixa BI e futuramente presidente executivo do Banif.

Joaquim Marques dos Santos observou que a corretora no Brasil “teve um êxito bastante grande”, mas o Banif precisou de vendê-la para se capitalizar. “Foi uma venda que nos custou, porque era uma peça do ativo que nos estava a dar bons resultados”, comentou o antigo gestor. “Se resultou mal para a Caixa… não posso responder”, acrescentou.